2º evento: Wild
fairy appears
Em todos os fóruns em que entra ele
sempre encontra a mesma coisa: testemunhas de um flash que repentinamente
aparece em lugares com poucas pessoas, logo após um pequeno tremor de terra ou
queda de energia, e sempre que ocorre um flash uma pessoa desaparece, e houve o
caso de 3 desaparecidos retornando, mas todos com sérios distúrbios mentais, e
sempre saindo do mesmo evento do luz que os fizeram desaparecer dias atrás.
-Parece que nada mais pode ser encontrado
na internet... Qual seria o próximo passo? Enquanto pensa, Evan nota um
endereço de e-mail no site Obscure, que parece remeter ao dono do site.
-O criador do site deve saber a
identidade de algumas vitimas, e o mínimo sobre os “retornados”, creio que
falar com ele deve ser o próximo passo. Diz Evan a si mesmo enquanto envia em
e-mail ao endereço recém-descoberto.
“Gostaria de fazer algumas perguntas sobre os
eventos estranhos que tem acontecido na cidade. Vejo por seu site que é bem
informado sobre o assunto. Também pretendo expor meus pensamentos sobre o caso,
então acho que pode ser produtivo para ambos. Se for possível me encontre no
bar River hoje as 20:00. Aguardo resposta.”
Antes que pudesse abrir outro fórum para
continuar a pesquisa, recebe um e-mail: “Ink: Resposta”.
-Que tipo de pessoa usa o nick de Ink?
Pensa ele enquanto abre o e-mail.
“Aceito seu convite, pretendo saber mais do
que qualquer um sobre o assunto, mas não ligo de passar meu conhecimento
adiante. Estarei esperando, mesa 6.”
-Foi fácil até...
Pensou Evan.
Durante o resto
do dia ele tentou procurar mais alguma informação sobre os acontecimentos, mas
não achou nada de útil. Os que acreditavam no fato o atribuíam a entidades
sobrenaturais, enquanto os céticos apenas faziam piadas sobre os depoimentos de
testemunhas. Parece que o nome com o qual fora batizado o evento era uma dessas
piadas, relacionada ao fato de algumas testemunhas dizerem que viram um pequeno
globo luminoso voando próximo ao evento, então os céticos começaram a chamar
esse globo de fada, fazendo alusão a navi de “Legendo of Zelda” ou a sininho de
Peter Pan.
Possivelmente
Evan seria um dos a fazer piadas com o acontecimento se ele não tivesse visto o
que viu. Em determinado momento ele começa a pensar novamente sobre o momento
do wild fairy appears que ele testemunhou aquilo estava totalmente fora do
amplo da tecnologia conhecida, isso supondo que seja uma fonte tecnológica. Não
importa o ângulo em que se veja isso, é impossível dar uma explicação plausível
para o sumiço. Evan fica com isso na cabeça até escurecer.
Ele resolve se
aprontar a sair mais cedo pra investigar o beco no qual havia acontecido o
desaparecimento, mas não deixa de notar, quando se levanta, que parecia ter uma
pessoa na esquina observando sua casa. Após ficar a observando por alguns
segundos, ela começa a caminhar na direção oposta, e Evan continua aprontar a
sai em seguida.
-Devo estar
imaginando coisas... Diz ele enquanto caminha em direção ao beco.
Para sua
frustação, nada diferia aquele de qualquer outro beco: nenhum vestígio de
alguma reação química, nenhum objeto estranho, até vasculha e toca o chão e as
paredes procurando uma falha ou alçapão, mesmo algum jogo de espelhos para
causar alguma ilusão de ótica, mas nada as diferia de paredes normais. Seja o
que quer que tenha ocorrido, está totalmente fora dos métodos conhecidos por
Evan.
Durante o caminho
ele novamente passa pelo cruzamento, e novamente esta lá o mendigo, exatamente
do mesmo jeito, porem sua placa agora diz: “As vezes aquilo que procuramos não
é o que realmente queremos achar”. Novamente, Evan ignora e continua seu
caminho.
Ele segue para o
bar e chega 10 minutos antes e senta-se na mesa combinada, e fica imaginando
que tipo de cara usaria o nick Ink. Após alguns minutos, uma mulher de aparência
bem excêntrica entra no bar e se dirige a mesa de Evan. Uma camiseta larga e
rosa, por cima de um corpete preto e um short jeans, e seu cabelo channel
compartilhava as mesmas cores de suas roupas, seu estilo é no mínimo diferente.
Conforme se aproxima da mesa de Evan a única coisa em sua cabeça é “Não é ela,
não é ela, não é ela”, pensamento interrompido pela pergunta:
-Você é Evan?
-Sim. Ink suponho.
Diz ele, encarando a mulher, que se senta e com um aceno chama o garçom.
-Se rosto perece
surpreso, o que esperava? Pergunta a mulher em tom descontraído.
-Alguém menos
“colorido” no mínimo. Responde Evan
-Minha aparência
choca muita gente, já estou até acostumada. Mas vamos direto ao assunto: por
que quer saber sobre os WFA?
-WFA?
-Abreviação de Wild Fairy Appears. Não sei o porquê desse nome gigante, pra mim apenas flash bastava.
Diz Ink, enquanto pegava uma bebida rosa, mesmo cor de seu cabelo e camiseta.
-Posso chama-la
de Ink?
-Prefiro assim,
geralmente não digo meu nome a qualquer um.
-Então Ink, por
que você atribui os WFA a entidades sobrenaturais? Pergunta Evan com um leve
sorriso.
-Por quê? Pois
aquilo está totalmente fora de nossa realidade, acho que é mais que obvio que
aquilo não é trabalho humano. Estou investigando isso para ver que tipo de
entidade está por traz disso.
-O fato de a
Terra ser redonda também estava fora da realidade do povo da idade média, mas
se provou apenas uma “novidade” após o estudo necessário. O prova que nesse
caso pode ser diferente?
-Um cético... A
maioria de vocês apenas zomba dos WFA e quem se envolve com ele. Por que você
quer saber sobre ele, se não acredita no sobrenatural?
-Apenas quero
mostrar aos irracionais que tudo isso sobre o sobrenatural não existe, é apenas
uma série de truques bem montados.
-Parece que
buscamos a mesma coisa, mas por motivos exatamente opostos... Diz Ink sorrindo.
-O que não quer
dizer que não podemos nos ajudar.
-Como assim?
-Você quer provar
que isso é obra de agentes sobrenaturais, e eu quero provar que não passa de
obra humana. Ambos temos que chegar na resolução do caso, apenas um estará
certo, mas nós dois queremos chegar lá. Você tem muito mais informação sobre o
caso, mas parece que não está avançando com ela, e eu acredito que posso refinar
essas informações para algo mais solido. O que acha de em pequeno acordo?
-Você acabou de
dizer que o sobrenatural é bobagem, e se oferece pra trabalhar junto com a mais
fanática pesquisadora de ocultismo da cidade?
-Serei sincero,
eu realmente acho que você é idiota por acreditar nessas coisas, mas pelo que
você escreve em seu site, você não é apenas mais uma ignorante como muitos. Se
pudesse escolher, não trabalharia com alguém que acredita no improvável, mas
isso não muda o fato de que preciso de sua informação para prosseguir.
-Quem você chamou
de idiota!? Ink da uma pancada na mesa, e todo o bar se vira pra ela.
-Se acalme, não
quero que pensem que ando com gente do seu tipo. Vamos continuar em outro
lugar. Evan se levanta e deixa algum dinheiro sobre a mesa.
-Filho da p... Sussurra
Ink, que depois de alguns segundos o segue.
-Eiii!!!
Espere-me! Grita ela enquanto corre na direção de Evan.
-Você é sempre
tão barulhenta? Diz ele quando ela se aproxima.
-Até agora você
apenas falou mal de mim e o ocultismo, mas não mostrou nada de concreto sobre o
caso. O que você e sua lógica conseguiram até agora?
-Com a pouca
informação disponível na internet tive duas conclusões: a primeira é que o que
causa o desaparecimento é algo que se movimenta e causa um campo eletromagnético,
que faz com que falte energia momentaneamente num raio de mais ou menos 2 km ao
redor do ponto de origem. A outra é o fator aleatório, pelo que eu consegui de
informação sobre os desaparecidos do ultimo mês uma não tem ligação nenhuma com
a outra, salvo em caso de parentes distantes, e o caso de um casal sumiu
simultaneamente. Dizia Evan enquanto caminhava, aparentemente sem rumo.
-Não tenho
certeza sobre o fator aleatório, creio que seja o que tiver fazendo isso tem um
motivo, apenas não o encontramos ainda. E sobre o campo, é fato que
assombrações e poltergheists influenciam redes elétricas. Alguns dizem que a
própria existência deles é uma anomalia que envolve os nêutrons e elétrons
presentes no ar, e algum tipo de impressão que o morto deixa ao passar por
sofrimento ou agonia suprema no local.
-Quer dizer que
segue sua investigação e acordo com uma lista de “suspeitos do mundo
sobrenatural”? Mesmo não demonstrando, Evan se espanta com convicção e clareza
que Ink explica sobre o oculto, parece que ela estudou o sobrenatural do mesmo
jeito que ele estudou matemática.
-Sim. Acho que
faz mais sentido do que achar que é obra humana...
-É incrível que o
seu lado consiga explicar as coisas desse jeito. Mas teorias a parte, o qual
será seu próximo passo?
-Eu vou entrevistar
um dos retornados amanhã. Parece que uma mulher que voltou da luz vai todo dia
para os limites da cidade, próximo a floresta. Segundo testemunhas foi onde ela
desapareceu e reapareceu.
-Então eu...
Antes que Evan terminasse a frase, as luzes dos postes falham, e ambos começam
a olhar ao redor, procurando desesperadamente por um flash, mas as luzes
retornam e eles não veem nada.
Quando estavam
pra suspirar aliviados, ouvem um grito apavorado vindo da rua de traz, e
rapidamente correm pra lá.
Na frente de uma
casa, encontram uma senhora gritando no chão, enquanto apontava pra dentro se
sua casa. Ink corre socorrer a mulher que estava em pânico, enquanto Evan corra
para terminar de abrir a porta. Suas mãos tremiam e era difícil suprimir o
medo, sua mente tentava de todo jeito imaginar o que podia estar atrás daquela
porta, mas era impossível. Após alguns segundos, ele ouve um barulho dentro
casa e abre a porta por impulso, então algo salta em seu rosto com uma
velocidade incrível, fazendo com Evan nem consiga ver o que era. Apenas sente
algo sendo encravando em seu rosto, sua única ação é cair no chão e começar a
gritar apavorado, como se estivesse para morrer, mas segundos depois a coisa
salta para o lado e Evan rapidamente se vira para ver o que era, e se espanta:
Um gambá...
Ink solta a
mulher e espanta o bicho, enquanto Evan levanta totalmente frustrado. Os
vizinhos começam a sair para vê-la o que estava acontecendo.
-Era só o bicho senhora?
Pergunta Evan, ainda não conformado pelo acontecimento.
-Sim... Quando
todo se apagou, eu voltei pra minha casa e quando abrir a porta, a luz voltou
na mesma hora e... e eu encontrei aquele demônio. A mulher ainda estava em
choque.
-O que aconteceu?
Pergunta um senhor que se aproxima com um taco de baseball na mão.
-Nada. Diz Ink
sorrindo normalmente.
-Era só um
gambá... Diz Evan com a frustração estampada no rosto...
-Só isso? E eu
pensando que a luz tinha levado alguém de novo... Diz o senhor retornando a sua
casa.
-De novo?! Ink e
Evan vão atrás do senhor.
-Alguém mais
sumiu nessa vizinhança? Pergunta Evan.
-Ah... Sim, um
jovem desapareceu dentro de um flash. Se não me engano foi logo depois de uma
pequena falta de luz como essa. Faz uns 2 ou 3 dias.
-O Senhor
testemunhou o desaparecimento? Pergunta Ink
-Não exatamente.
Eu apenas voltava pra minha casa, e o vi na praça, desenhando algo estranho no
chão, e quando virei as costas pra virar a esquina notei um flash vindo de lá,
e quando me virei não tinha mais ninguém na praça. E pensar que a algumas
semanas ele era apenas mais um garoto normal... Diz o senhor.
-O que acontece
com ele nessas ultimas semanas?
-Ele começou a
agir estranhamente. Faltava as aulas, era sempre visto com livros com emblemas
estranhos, e não fala mais com ninguém. Se não me engano ele começou a agir
assim justamente quando começaram esses boatos sobre gente desaparecendo. Eu
pensei que ele estava apenas inventando algum hobby novo, não imaginei que
podia acabar assim.
-A praça que você
se refere é aquela no fim da rua? Pergunta Evan.
-Sim, por quê?
-Ink, vamos. Diz
Evan correndo em direção a praça.
-Obrigado pelas
informações. Diz Ink, acenando enquanto corria atrás de Evan.
Eles correm até o
fim da rua e encontram uma praça bem normal: Algumas árvores entorno de uma
área cimentada, possivelmente usada para brincadeiras de crianças. Após as árvores
alguns brinquedos e um pequeno campo de futebol. As casas envolta também não
tinham nada de anormal, talvez as únicas coisas diferentes sejam o vento frio
que soprava, levando as folhas do chão para longe, e o silencio que engolia o
lugar. Evan sentia alguma coisa estranha no lugar, mas não havia como explicar,
algo dentro dele o manda sair dali.
Conforme se
aproximam da área cimentada, notam que ela toda foi utilizada em um desenho,
uma espécie de circulo, repleto de emblemas estranhos, mas era totalmente
simétrico. Não é algo que qualquer um possa desenhar.
-Um círculo de
invocação. Diz Ink.
-O que? Pergunta
Evan
-Uma espécie de
ritual para invocar uma entidade espiritual para esse mundo. Um bem grande e
bem feito, diga-se de passagem. Diz Ela enquanto examina o desenho mais
detalhadamente.
-Seguindo sua tese,
o que esse ritual invocaria? Por mais que não quisesse admitir, a teoria de Ink
parecia estar sendo mais viável que a dele no momento.
-Qualquer
entidade espectral, dependeria do jeito que o ritual fosse feito. Poderia ser
um Jinn, um espirito vingativo, um shikigami, um demônio, pelas inscrições que
lembram runas nórdicas, mesmo uma banshee poderia atender o chamado.
-Segundo suas
lendas e afins, algum deles seria capaz de fazer as pessoas do jeito que esta
acontecendo?
-Difícil dizer.
Uma lei universal sobre entidades espectrais diz que elas conseguem agir
totalmente fora das leis desse mundo, se tiverem energia o suficiente.
-E de onde eles
tiram essa energia?
-Devorando...
almas...vivas... Ink nota que algo começa a fazer muito sentido.
-Acho que sua
tese tem um ponto nesse caso... Diz Evan socando uma arvore. Não acreditava que
havia tantas evidencias e explicações coerentes sobre um ato sobrenatural.
-É tão difícil
acreditar que isso não é obra humana? Eu realmente não acredito que é possível
ver pessoas sumindo por um mês e tentar achar que é algo dentro da lógica desse
mundo.
-É isso... Acho
que sua tese não está tão bem contada assim. Diz Evan, abrindo um leve sorriso.
-Como assim?
Pergunta Ink
-Os eventos
começaram há um mês. Mas apenas esse círculo foi encontrado. Pode acontecer de que
esse garoto foi apenas uma mais uma vitima aleatória, sendo que esses elementos
estão presentes só nesse acontecimento.
-Mas pode existir
algum outro circulo escondido. Pode ser que esse garoto pode ter invocado algo
que não conseguiu controlar, e vendo o que ele estava causando, tentou reverter
seu feito, o que terminou no seu próprio desaparecimento. Seu envolvimento com
o ocultismo coincide com o inicio dos eventos. Minha linha de pensamento é
capaz de responder a quase todas as perguntas.
-Porem isso pode
ser apenas uma coincidência, sendo que você não possui nenhuma prova concreta.
Tudo o que não é uma certeza é uma duvida. E isso é só o que eu preciso para
negar sua tese.
-Ora seu... Que
seja, vou continuar minha investigação e chegarei a resposta que sua lógica é
incapaz de te dar. Mas tenha em mente que a idiota aqui está na frente na
corrida pela verdade. Diz Ink virando as costas e indo embora.
-Vou continuar a
te contatar por e-mail, espero que faça o mesmo. Diz Evan.
-Não se preocupe,
será o primeiro que terá que engolir minha verdade. Isso agora é uma briga. Diz
Ink desaparecendo na esquina.
-Eu aceito seu
desafio, maníaca por ocultismo Ink... Quando Evan termina de falar ele olha
para o céu noturno, escuro, sem nenhuma estrela. Então de repente, um rasto de
luz passa rapidamente pelo céu e o vento muda sinistramente de direção,
acompanhando a direção do rastro. Segundo depois um som tenebroso ecoa pelas
ruas, como aqueles ouvidos em filmes de terror mal feitos.
Evan simplesmente
sorri e começa a caminhar. Eu não vi nem ouvi nada, é o que ele pensa no
percurso pra casa. Não importa o quanto pareça que os WFA fossem obras
sobrenaturais, enquanto não fosse encontrada uma prova indubitável ela ainda
podia defender a lógica, o que ele faria de toda forma, agora contra uma
inimiga que lhe ajudaria muito daqui pra frente.
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