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terça-feira, 18 de outubro de 2011

In The Light




2º evento: Wild fairy appears





Em todos os fóruns em que entra ele sempre encontra a mesma coisa: testemunhas de um flash que repentinamente aparece em lugares com poucas pessoas, logo após um pequeno tremor de terra ou queda de energia, e sempre que ocorre um flash uma pessoa desaparece, e houve o caso de 3 desaparecidos retornando, mas todos com sérios distúrbios mentais, e sempre saindo do mesmo evento do luz que os fizeram desaparecer dias atrás.
-Parece que nada mais pode ser encontrado na internet... Qual seria o próximo passo? Enquanto pensa, Evan nota um endereço de e-mail no site Obscure, que parece remeter ao dono do site.
-O criador do site deve saber a identidade de algumas vitimas, e o mínimo sobre os “retornados”, creio que falar com ele deve ser o próximo passo. Diz Evan a si mesmo enquanto envia em e-mail ao endereço recém-descoberto.
“Gostaria de fazer algumas perguntas sobre os eventos estranhos que tem acontecido na cidade. Vejo por seu site que é bem informado sobre o assunto. Também pretendo expor meus pensamentos sobre o caso, então acho que pode ser produtivo para ambos. Se for possível me encontre no bar River hoje as 20:00. Aguardo resposta.”
Antes que pudesse abrir outro fórum para continuar a pesquisa, recebe um e-mail: “Ink: Resposta”.
-Que tipo de pessoa usa o nick de Ink? Pensa ele enquanto abre o e-mail.
“Aceito seu convite, pretendo saber mais do que qualquer um sobre o assunto, mas não ligo de passar meu conhecimento adiante. Estarei esperando, mesa 6.”
-Foi fácil até... Pensou Evan.
Durante o resto do dia ele tentou procurar mais alguma informação sobre os acontecimentos, mas não achou nada de útil. Os que acreditavam no fato o atribuíam a entidades sobrenaturais, enquanto os céticos apenas faziam piadas sobre os depoimentos de testemunhas. Parece que o nome com o qual fora batizado o evento era uma dessas piadas, relacionada ao fato de algumas testemunhas dizerem que viram um pequeno globo luminoso voando próximo ao evento, então os céticos começaram a chamar esse globo de fada, fazendo alusão a navi de “Legendo of Zelda” ou a sininho de Peter Pan.
Possivelmente Evan seria um dos a fazer piadas com o acontecimento se ele não tivesse visto o que viu. Em determinado momento ele começa a pensar novamente sobre o momento do wild fairy appears que ele testemunhou aquilo estava totalmente fora do amplo da tecnologia conhecida, isso supondo que seja uma fonte tecnológica. Não importa o ângulo em que se veja isso, é impossível dar uma explicação plausível para o sumiço. Evan fica com isso na cabeça até escurecer.
Ele resolve se aprontar a sair mais cedo pra investigar o beco no qual havia acontecido o desaparecimento, mas não deixa de notar, quando se levanta, que parecia ter uma pessoa na esquina observando sua casa. Após ficar a observando por alguns segundos, ela começa a caminhar na direção oposta, e Evan continua aprontar a sai em seguida.
-Devo estar imaginando coisas... Diz ele enquanto caminha em direção ao beco.
Para sua frustação, nada diferia aquele de qualquer outro beco: nenhum vestígio de alguma reação química, nenhum objeto estranho, até vasculha e toca o chão e as paredes procurando uma falha ou alçapão, mesmo algum jogo de espelhos para causar alguma ilusão de ótica, mas nada as diferia de paredes normais. Seja o que quer que tenha ocorrido, está totalmente fora dos métodos conhecidos por Evan.
Durante o caminho ele novamente passa pelo cruzamento, e novamente esta lá o mendigo, exatamente do mesmo jeito, porem sua placa agora diz: “As vezes aquilo que procuramos não é o que realmente queremos achar”. Novamente, Evan ignora e continua seu caminho.
Ele segue para o bar e chega 10 minutos antes e senta-se na mesa combinada, e fica imaginando que tipo de cara usaria o nick Ink. Após alguns minutos, uma mulher de aparência bem excêntrica entra no bar e se dirige a mesa de Evan. Uma camiseta larga e rosa, por cima de um corpete preto e um short jeans, e seu cabelo channel compartilhava as mesmas cores de suas roupas, seu estilo é no mínimo diferente. Conforme se aproxima da mesa de Evan a única coisa em sua cabeça é “Não é ela, não é ela, não é ela”, pensamento interrompido pela pergunta:
-Você é Evan?
-Sim. Ink suponho. Diz ele, encarando a mulher, que se senta e com um aceno chama o garçom.
-Se rosto perece surpreso, o que esperava? Pergunta a mulher em tom descontraído.
-Alguém menos “colorido” no mínimo. Responde Evan
-Minha aparência choca muita gente, já estou até acostumada. Mas vamos direto ao assunto: por que quer saber sobre os WFA?
-WFA?
-Abreviação de Wild Fairy Appears. Não sei o porquê desse nome gigante, pra mim apenas flash bastava. Diz Ink, enquanto pegava uma bebida rosa, mesmo cor de seu cabelo e camiseta.
-Posso chama-la de Ink?
-Prefiro assim, geralmente não digo meu nome a qualquer um.
-Então Ink, por que você atribui os WFA a entidades sobrenaturais? Pergunta Evan com um leve sorriso.
-Por quê? Pois aquilo está totalmente fora de nossa realidade, acho que é mais que obvio que aquilo não é trabalho humano. Estou investigando isso para ver que tipo de entidade está por traz disso.
-O fato de a Terra ser redonda também estava fora da realidade do povo da idade média, mas se provou apenas uma “novidade” após o estudo necessário. O prova que nesse caso pode ser diferente?
-Um cético... A maioria de vocês apenas zomba dos WFA e quem se envolve com ele. Por que você quer saber sobre ele, se não acredita no sobrenatural?
-Apenas quero mostrar aos irracionais que tudo isso sobre o sobrenatural não existe, é apenas uma série de truques bem montados.
-Parece que buscamos a mesma coisa, mas por motivos exatamente opostos... Diz Ink sorrindo.
-O que não quer dizer que não podemos nos ajudar.
-Como assim?
-Você quer provar que isso é obra de agentes sobrenaturais, e eu quero provar que não passa de obra humana. Ambos temos que chegar na resolução do caso, apenas um estará certo, mas nós dois queremos chegar lá. Você tem muito mais informação sobre o caso, mas parece que não está avançando com ela, e eu acredito que posso refinar essas informações para algo mais solido. O que acha de em pequeno acordo?
-Você acabou de dizer que o sobrenatural é bobagem, e se oferece pra trabalhar junto com a mais fanática pesquisadora de ocultismo da cidade?
-Serei sincero, eu realmente acho que você é idiota por acreditar nessas coisas, mas pelo que você escreve em seu site, você não é apenas mais uma ignorante como muitos. Se pudesse escolher, não trabalharia com alguém que acredita no improvável, mas isso não muda o fato de que preciso de sua informação para prosseguir.
-Quem você chamou de idiota!? Ink da uma pancada na mesa, e todo o bar se vira pra ela.
-Se acalme, não quero que pensem que ando com gente do seu tipo. Vamos continuar em outro lugar. Evan se levanta e deixa algum dinheiro sobre a mesa.
-Filho da p... Sussurra Ink, que depois de alguns segundos o segue.
-Eiii!!! Espere-me! Grita ela enquanto corre na direção de Evan.
-Você é sempre tão barulhenta? Diz ele quando ela se aproxima.
-Até agora você apenas falou mal de mim e o ocultismo, mas não mostrou nada de concreto sobre o caso. O que você e sua lógica conseguiram até agora?
-Com a pouca informação disponível na internet tive duas conclusões: a primeira é que o que causa o desaparecimento é algo que se movimenta e causa um campo eletromagnético, que faz com que falte energia momentaneamente num raio de mais ou menos 2 km ao redor do ponto de origem. A outra é o fator aleatório, pelo que eu consegui de informação sobre os desaparecidos do ultimo mês uma não tem ligação nenhuma com a outra, salvo em caso de parentes distantes, e o caso de um casal sumiu simultaneamente. Dizia Evan enquanto caminhava, aparentemente sem rumo.
-Não tenho certeza sobre o fator aleatório, creio que seja o que tiver fazendo isso tem um motivo, apenas não o encontramos ainda. E sobre o campo, é fato que assombrações e poltergheists influenciam redes elétricas. Alguns dizem que a própria existência deles é uma anomalia que envolve os nêutrons e elétrons presentes no ar, e algum tipo de impressão que o morto deixa ao passar por sofrimento ou agonia suprema no local.
-Quer dizer que segue sua investigação e acordo com uma lista de “suspeitos do mundo sobrenatural”? Mesmo não demonstrando, Evan se espanta com convicção e clareza que Ink explica sobre o oculto, parece que ela estudou o sobrenatural do mesmo jeito que ele estudou matemática.
-Sim. Acho que faz mais sentido do que achar que é obra humana...
-É incrível que o seu lado consiga explicar as coisas desse jeito. Mas teorias a parte, o qual será seu próximo passo?
-Eu vou entrevistar um dos retornados amanhã. Parece que uma mulher que voltou da luz vai todo dia para os limites da cidade, próximo a floresta. Segundo testemunhas foi onde ela desapareceu e reapareceu.
-Então eu... Antes que Evan terminasse a frase, as luzes dos postes falham, e ambos começam a olhar ao redor, procurando desesperadamente por um flash, mas as luzes retornam e eles não veem nada.
Quando estavam pra suspirar aliviados, ouvem um grito apavorado vindo da rua de traz, e rapidamente correm pra lá.
Na frente de uma casa, encontram uma senhora gritando no chão, enquanto apontava pra dentro se sua casa. Ink corre socorrer a mulher que estava em pânico, enquanto Evan corra para terminar de abrir a porta. Suas mãos tremiam e era difícil suprimir o medo, sua mente tentava de todo jeito imaginar o que podia estar atrás daquela porta, mas era impossível. Após alguns segundos, ele ouve um barulho dentro casa e abre a porta por impulso, então algo salta em seu rosto com uma velocidade incrível, fazendo com Evan nem consiga ver o que era. Apenas sente algo sendo encravando em seu rosto, sua única ação é cair no chão e começar a gritar apavorado, como se estivesse para morrer, mas segundos depois a coisa salta para o lado e Evan rapidamente se vira para ver o que era, e se espanta:
Um gambá...
Ink solta a mulher e espanta o bicho, enquanto Evan levanta totalmente frustrado. Os vizinhos começam a sair para vê-la o que estava acontecendo.
-Era só o bicho senhora? Pergunta Evan, ainda não conformado pelo acontecimento.
-Sim... Quando todo se apagou, eu voltei pra minha casa e quando abrir a porta, a luz voltou na mesma hora e... e eu encontrei aquele demônio. A mulher ainda estava em choque.
-O que aconteceu? Pergunta um senhor que se aproxima com um taco de baseball na mão.
-Nada. Diz Ink sorrindo normalmente.
-Era só um gambá... Diz Evan com a frustração estampada no rosto...
-Só isso? E eu pensando que a luz tinha levado alguém de novo... Diz o senhor retornando a sua casa.
-De novo?! Ink e Evan vão atrás do senhor.
-Alguém mais sumiu nessa vizinhança? Pergunta Evan.
-Ah... Sim, um jovem desapareceu dentro de um flash. Se não me engano foi logo depois de uma pequena falta de luz como essa. Faz uns 2 ou 3 dias.
-O Senhor testemunhou o desaparecimento? Pergunta Ink
-Não exatamente. Eu apenas voltava pra minha casa, e o vi na praça, desenhando algo estranho no chão, e quando virei as costas pra virar a esquina notei um flash vindo de lá, e quando me virei não tinha mais ninguém na praça. E pensar que a algumas semanas ele era apenas mais um garoto normal... Diz o senhor.
-O que acontece com ele nessas ultimas semanas?
-Ele começou a agir estranhamente. Faltava as aulas, era sempre visto com livros com emblemas estranhos, e não fala mais com ninguém. Se não me engano ele começou a agir assim justamente quando começaram esses boatos sobre gente desaparecendo. Eu pensei que ele estava apenas inventando algum hobby novo, não imaginei que podia acabar assim.
-A praça que você se refere é aquela no fim da rua? Pergunta Evan.
-Sim, por quê?
-Ink, vamos. Diz Evan correndo em direção a praça.
-Obrigado pelas informações. Diz Ink, acenando enquanto corria atrás de Evan.
Eles correm até o fim da rua e encontram uma praça bem normal: Algumas árvores entorno de uma área cimentada, possivelmente usada para brincadeiras de crianças. Após as árvores alguns brinquedos e um pequeno campo de futebol. As casas envolta também não tinham nada de anormal, talvez as únicas coisas diferentes sejam o vento frio que soprava, levando as folhas do chão para longe, e o silencio que engolia o lugar. Evan sentia alguma coisa estranha no lugar, mas não havia como explicar, algo dentro dele o manda sair dali.
Conforme se aproximam da área cimentada, notam que ela toda foi utilizada em um desenho, uma espécie de circulo, repleto de emblemas estranhos, mas era totalmente simétrico. Não é algo que qualquer um possa desenhar.
-Um círculo de invocação. Diz Ink.
-O que? Pergunta Evan
-Uma espécie de ritual para invocar uma entidade espiritual para esse mundo. Um bem grande e bem feito, diga-se de passagem. Diz Ela enquanto examina o desenho mais detalhadamente.
-Seguindo sua tese, o que esse ritual invocaria? Por mais que não quisesse admitir, a teoria de Ink parecia estar sendo mais viável que a dele no momento.
-Qualquer entidade espectral, dependeria do jeito que o ritual fosse feito. Poderia ser um Jinn, um espirito vingativo, um shikigami, um demônio, pelas inscrições que lembram runas nórdicas, mesmo uma banshee poderia atender o chamado.
-Segundo suas lendas e afins, algum deles seria capaz de fazer as pessoas do jeito que esta acontecendo?
-Difícil dizer. Uma lei universal sobre entidades espectrais diz que elas conseguem agir totalmente fora das leis desse mundo, se tiverem energia o suficiente.
-E de onde eles tiram essa energia?
-Devorando... almas...vivas... Ink nota que algo começa a fazer muito sentido.
-Acho que sua tese tem um ponto nesse caso... Diz Evan socando uma arvore. Não acreditava que havia tantas evidencias e explicações coerentes sobre um ato sobrenatural.
-É tão difícil acreditar que isso não é obra humana? Eu realmente não acredito que é possível ver pessoas sumindo por um mês e tentar achar que é algo dentro da lógica desse mundo.
-É isso... Acho que sua tese não está tão bem contada assim. Diz Evan, abrindo um leve sorriso.
-Como assim? Pergunta Ink
-Os eventos começaram há um mês. Mas apenas esse círculo foi encontrado. Pode acontecer de que esse garoto foi apenas uma mais uma vitima aleatória, sendo que esses elementos estão presentes só nesse acontecimento.
-Mas pode existir algum outro circulo escondido. Pode ser que esse garoto pode ter invocado algo que não conseguiu controlar, e vendo o que ele estava causando, tentou reverter seu feito, o que terminou no seu próprio desaparecimento. Seu envolvimento com o ocultismo coincide com o inicio dos eventos. Minha linha de pensamento é capaz de responder a quase todas as perguntas.
-Porem isso pode ser apenas uma coincidência, sendo que você não possui nenhuma prova concreta. Tudo o que não é uma certeza é uma duvida. E isso é só o que eu preciso para negar sua tese.
-Ora seu... Que seja, vou continuar minha investigação e chegarei a resposta que sua lógica é incapaz de te dar. Mas tenha em mente que a idiota aqui está na frente na corrida pela verdade. Diz Ink virando as costas e indo embora.
-Vou continuar a te contatar por e-mail, espero que faça o mesmo. Diz Evan.
-Não se preocupe, será o primeiro que terá que engolir minha verdade. Isso agora é uma briga. Diz Ink desaparecendo na esquina.
-Eu aceito seu desafio, maníaca por ocultismo Ink... Quando Evan termina de falar ele olha para o céu noturno, escuro, sem nenhuma estrela. Então de repente, um rasto de luz passa rapidamente pelo céu e o vento muda sinistramente de direção, acompanhando a direção do rastro. Segundo depois um som tenebroso ecoa pelas ruas, como aqueles ouvidos em filmes de terror mal feitos.
Evan simplesmente sorri e começa a caminhar. Eu não vi nem ouvi nada, é o que ele pensa no percurso pra casa. Não importa o quanto pareça que os WFA fossem obras sobrenaturais, enquanto não fosse encontrada uma prova indubitável ela ainda podia defender a lógica, o que ele faria de toda forma, agora contra uma inimiga que lhe ajudaria muito daqui pra frente.

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