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terça-feira, 18 de outubro de 2011

In The Light


3º evento: Retornados




Evan acorda no outro dia e segue sua rotina matinal: Lava o rosto, escova os dentes, e toma seu café da manhã.
-Estou mesmo usando meu tempo livre pra investigar desaparecimentos inexplicáveis... Não importa de que ângulo se veja... Isso não jeito de se passar as férias. Diz ele sorrindo, enquanto comia.
Ao terminar o café, ele vai a seu quarto e arruma as poucas coisas que estão fora do lugar e liga o computador. Pelo que se espera do quarto de um homem que vive sozinho, o quarto de Evan era extremamente organizado. Após uns 10 minutos na internet, ele se levanta e tira de cima de seu guarda-roupa uma pequena lousa, usada para os cálculos mais complexos na época da faculdade, agora servirá para organizar os dados do caso.
-A linha ocorre sempre em: Pico de energia – Wild Fairy Appears – Desaparecimento. Já aconteceram 17 desaparecimentos segundo o site da Ink, mais os 2 que eu testemunhei, e o garoto na praça, um total de 20 desaparecidos e desses, apenas 3 retornaram. Por enquanto, parece que as pessoas escolhidas são aleatórias, o fato de sempre estarem em lugares sem ou com poucas testemunhas reforça essa tese, e não ser que aja um jeito de induzir as vítimas aos locais do WFA. Mas nada aponta para isso. Evan organiza as informações na lousa como se realmente formassem uma equação, e quando termina da uns passos para traz e começa a observa-la.
-Falta muita coisa... O que poder adicionado por agora?.. Evan começa a pensar.
-Locais... Se eles sempre ocorrem quando não tem quase ninguém olhando, o lugar deve ter que atender algum requisito. Diz ele indo para o computador.
Ele começa a caçar nos fóruns, relendo os depoimentos das testemunhas, buscando por detalhes sobre os locais onde aconteceram os WFA, mas nada além de descrições vagas como: um beco, um prédio ne centro, um ponto do metro, mas nada exato. Ele não teria paciência para sair perguntando as testemunhas uma a uma, então resolveu entrar em contato com a fonte de informação mais acessível, Ink.

“Saudações, querida ocultista. Queria saber que horas você irá atrás do retornado. E pedir que você consiga informações sobre as localizações dos WFA já ocorridos, exceto o que eu presenciei a 3 dias e o do garoto da praça. Espero resposta.”

Novamente a reposta fui quase instantânea:

“Irei para o lugar que a mulher visita ao meio dia, mas ela não hora pra ir.  Tenho relatos de que pode acontecer dentre o meio dia e a meia noite. O sobre a localização, já comecei a juntas as informações ontem, possivelmente hoje a noite já terei algum resultado.”
“PS: Você não pretende me seguir atrás do retornado não né?”

Evan responde com a mesma velocidade:

“Se deixar você ir sozinha, perguntará coisas como: Se ela viu um vulto, alguma pessoa morta, ou ainda uma nave espacial, e acabaria sem nada de útil. Obvio que vou, me diga aonde e que horas que vou te pegar.”

“Certo, me encontre na praça do círculo, as 11:45, e leve o necessário para ficar de campana na floresta  até tarde da noite.”

Após as resposta de Ink Evan olha o relógio. 11 horas.
-O que será que essa garota faz da vida? Murmura ele enquanto pega uma mochila e começa a ver o que poderia ser necessário. No final, acabou levando apenas agua, alguns lanches e um gravador de áudio.
Ele vai até a garagem e pega a moto que não usava desde que arrumou um emprego próximo de casa, mas apesar de tudo ela ainda estava em perfeito estado, era uma das poucas coisas pelas qual Evan tinha apreço.
Enquanto ela dirigia até a praça, ele nota que o impacto dos acontecimentos estava diminuindo em sua cabeça. Já não parecia algo totalmente sinistro. Segundo sua mentalidade de alguns dias atrás, ver pessoas sumindo dentro de uma luz era o suficiente para ser trancafiado em alguma clinica mental, mas ali estava ele, investigando algo que nem a policia local estava conseguindo um mínimo avanço, enquanto disputava pela verdade contra uma garota que acreditava veementemente em fantasmas.
-Ou sou incrivelmente adaptável ou estou ficando louco... Pensa ele durante o curto percurso.
Ao chegar na praça, Ink já o esperava.
-Está atrasado. Diz ela.
-Tive que almoçar, e são apenas 2 minutos. Vamos logo. Diz Evan entregando um capacete a Ink, que vira o rosto.
-Não vou subir em sua moto. Tenho o mínimo de amor próprio. Diz Ink.
-Não sei o que isso quer dizer, mas como você vai? Pergunta Evan.
-Meu carro esta do outro lado da praça. Apenas me siga.
-Se soubesse tinha deixado minha moto em casa. Mas para onde vamos exatamente? Pergunta Evan
-Extremo norte da cidade, perto das montanhas. Diz Ink, enquanto caminha para o outro lado da praça.
-Aquela que dizem haver uma ruina? Diz Evan, que a acompanha pela rua..
-Não dizem. Tem ruinas lá, já estive nelas varias vezes. E parece que aconteceram 2 WFA lá. Ink Abre a porta do carro, um daqueles clássicos antigos, cujo motor faz colecionadores perder a cabeça, Evan não conhecia muito sobre carros antigos, mas sabia que o nome Impala 64 tinha algum significado. Mas pela cor dele, totalmente preto, não era muita a cara de Ink.
-Contando o dessa retornada? Evan para do lado da janela do carro.
-Sim. Pareça que ela estava lá esperando o namorado e sumiu antes que ele chegasse. Diz Ink, saindo com o carro, e sendo seguida por Evan.
-Alguma noticia do cara?
-Parece que se mudou depois que os rumores sobre ela ter sumido em um WFA começou a se espalhar. Antes de ir foi interrogado pela policia 2 vezes.
-Quanto cavalheirismo... Diz Evan sorrindo.
Após esse comentário, eles seguem até os limites da cidade em total silencio.
Eles param em uma estrada de terra batida, na borda da floresta. Era um lugar realmente isolado, levava no mínimo uns 20 minutos de moto até a casa mais próxima e a floresta era densa o suficiente para que seja capaz de se ver nem 10 metros dentro dela. Um lugar perfeito para um desparecimento misterioso, Evan imaginava o porquê da pessoa que testemunhou o fato estar por aqui.
-Ei, vamos ficar dentro da floresta. Diz Ink, entrando árvores adentro.
-Por quê?
-Retornados tem mentes instáveis, e se ela resolver não se aproximar por ver pessoas aqui?
-Depende do nível de instabilidade da mente, isso pode variar muito. Diz Evan.
-Acho uma pessoa que anda da cidade até aqui todo dia não está com a melhor cabeça possível. Vem logo pra cá! Ink perde a paciência.
-Certo... Evan resolve aceitar para evitar discussões desnecessárias.
Eles aguardam até a noite, então eles avistam ao longe a figura de uma mulher, que caminhava vagarosamente na direção deles.
-Será que é ela? Pergunta Ink.
-Não vejo outra possibilidade. A não ser que esse lugar tenha se tornado algum ponto turístico. Diz Evan.
-Então, vamos lá falar com ela?
-Não, vamos observar por um tempo. Se o que causou a sequela mental foi o WFA, pode ter alguma pista no comportamento dela.
-Ok...
Após alguns minutos a mulher chega bem próximo ao local onde está Evan e Ink, e começa a ir floresta adentro. Após alguns metros, uma pequena trilha se forma dentro da mata fechada, e a mulher caminha por ela, sendo seguida por Ink e Evan. A mulher parecia ter entre 28 e 30 anos, e usava um grande vestido azul, bem largo, seus cabelos estavam amarrados e pareciam não ser desembaraçados há algum tempo. Seu rosto era tão sem expressão que chegava a dar medo, principalmente no meio daquela floresta fechada, sombria, e silenciosa. Ela carrega algo na mão, mas do ponto de vista de Evan e Ink não da pra ver o que é.
A mulher caminha por alguns minutos até chegar a uma espécie de caverna, que tem na sua entrada 3 grandes pedras, em forma quase retangular, que formava uma espécie de portão.
-As ruinas? Sussurra Evan.
-Sim. Responde Ink.
A mulher fica parada em frente a entrada da caverna durante alguns minutos, até que um casal de adolescentes saem de lá rindo. Elas passam olhando desconfiados para ela, que se mantem imóvel até eles deixarem a trilha. Depois disso ela entra na caverna.
-Vamos continuar seguindo? Pergunta Ink. Por algum motivo ela tem um mal pressentimento sobre isso.
-Acho que não temos escolha. Diz Evan indo em direção a caverna.
Ao se aproximarem da entrada, começam a ouvir o som de metal batendo na pedra com violência, e após alguns segundos gritos de desespero começam a acompanhar o som de metal.
Ambos correm ruina adentro apavorados para ver o que estava acontecendo, e ao chegar em uma área um pouco maior, encontram a retornada, com uma faca, atacando um ponto da parede no qual parece haver um espécie de hierografos, enquanto gritava descontrolada.
-ME DEVOLVAM!!!! ME DEVOLVAM, ME DEVOLVAM!!!! A cena era perturbadora. Evan e Ink não conseguiram fazer nada além de observar a rosto da mulher que foi de totalmente sem expressão para um desespero indescritível.
Após alguns segundos a mulher nota a presença dos expectadores, e começa a andar vagarosamente na direção deles.
-Vocês vão me devolver... Vão trazer de volta... Diz ela enquanto ia em direção a eles. A faca em sua mão chama mais atenção do que seu rosto ou palavras.
-Ei, calma. Devolver o que? Do que você esta falando? Diz Evan, entrando na frente de Ink, e se afastando lentamente. Naquela situação ele nem imaginava qual a ação correta a se tomar, estava com tanto medo que mal conseguia pensar.
-SILENCIO!!!! Vocês vão pagar pelo que fizeram comigo! A mulher desfere um chute em Evan que derruba ele e Ink no chão.
O desespero da mulher começa a passar para os 2, que já nem conseguiam mais se mover. Não era apenas uma mulher com uma faca, algo ao olhar para ela passava um terror abominável, seu rosto era como a própria morte em forma de insanidade, pronta pare ceifar a vida de ambos com uma simples faca. O medo era a única coisa na cabeça de ambos.
Porem, quando a mulher levanta a faca para aplicar o golpe derradeiro, ela olha repentinamente para a saída da caverna como se algo a chamasse, mas o silencio era supremo. Segundos depois ela começa a caminhar em direção a saída, como se Evan e Ink não existem. Sua expressão era um pouco mais leva, mas ainda o suficiente para assustar alguém.
Evan e Ink ficam ambos no chão, sem conseguir entender direito o que havia acontecido. Mesmo após a saída do mulher, eles permaneceram 10 minutos do mesmo jeito que caíram, até Evan se levantar a ajudar Ink a se colocar de pé.
-O que foi isso? Pergunta Ink, ainda meio zonza.
-Não sei. Já fui assaltado por homens armados, mas não chegou nem  perto disso. Evan tentava colocar todos os fatos no lugar, sua cabeça parecia embaralhada.
-O que quer fazer agora? É obvio que não podemos segui-la. Diz Ink encostando-se à parede.
-Primeiro que lugar é esse? Ilumine o lugar onde ela estava batendo.
-É uma ruina que parece ter sido um tipo de templo da sociedade indígena que vivia aqui antes da colonização. As paredes são repletas de desenhos que lembram hidrógrafos egípcios. É meio estranho, pois essa comunidade agia totalmente diferente de todas as outras da região. Diz Ink, pegando a lanterna no chão e iluminanda a área que foi “atacada” pela retornada.
Era um espécie de mural, em pedra lascada, totalmente plano, foi visivelmente trabalhado antes de ser desenhado. Os desenhos mostravam sempre um grupo que pareciam pessoas executando tarefas, sendo liderados por algo que parecia uma pessoa, mas tinha as traços mais leves e diversos traços envolta, como os utilizados para representar o sol. E era um dos desenhos desse ser que estava todo riscado pela ponta da faca.
-Esse ser luminoso parecer ser uma divindade, mas o que isso teria a ver com os WFA? Diz Ink enquanto examina o mural procurando por algo a mais.
-Acho que não podemos supor que isso tenha alguma coisa a ver. Pelo estado daquela mulher, isso tudo pode não passar de um simples delírio.
-Não acho. As ações dela foram muito focadas pare ser um delírio. Ela até esperou o casal sair para depois entrar. Tem que haver uma ligação.
Evan queria negar, mas Ink tem rasão. O fato dela se locomover do meio da cidade até aqui, e aplicar sua raiva apenas contra aquela imagem. Era realmente focado demais para ser um delírio aleatório, além disso, a expressão dela não era a de alguém tendo um delírio, ela passava o medo que sentiu através dos olhos, e aquilo parecia bem real. Mas não tem porque dizer isso a Ink agora.
-Acho que terminamos por hoje. Vamos embora antes que encontremos outro maluco armado. Diz Evan indo em direção a porta.
-Acho que está certo. Pra mim foi até demais por uma noite. Diz Ink seguindo-o.
Eles vão até seus respectivos veículos em total silencio, ambos tentando dar uma explicação para o ocorrido, mas nada surge a mente.
-Me envie os dados que conseguir sobre as localizações dos WFA, e tente saber algo sobre o comportamento dos outros 2 retornados, mas não tente se aproximar deles. Diz Evan ligando a moto.
-Pode deixar, e nem precisa dizer. Não vou me aproximar de um deles, pelo menos não sem uma arma. E você, o que vai fazer?
-Vou procurar mais gente que esteja investigado o caso. Deve ter algum detetive particular, ou alguém da policia que possa liberar alguma informação. Tenho que procurar pontos de vistas diferentes. Diz Evan saindo com a moto.
-Uma hora ou outra você vai ter que aceitar que isso está fora do amplo da ciência... Sussura Ink, também deixando o lugar.
Enquanto Evan dirige até sua casa, passa pelo cruzamento do centro, que estava estranhamente vazio. Em uma noite de sexta, essa lugar devia estar cheio de gente, pensa Evan, mas o único ser vivo ali era o mendigo, que parecia dormir sentado no chão, ao lado estava sua placa: “Durante uma trilha estreita, a luz no fim do túnel pode ser um trem.”
Evan presta a atenção na placa, e quando se vira para frente novamente, vê que há uma garota atravessando a rua no sinal vermelho. Ele se desvia no impulso, quase capota, mas consegue desviar da garota. Depois de estabilizar, ele para a moto pronta pra dar uma bronca na garota, mas ao olhar para traz não encontra ninguém.

-Estou ficando cada vez pior... Diz Evan seguindo ruma a sua casa.
Outro tópico estranho se adiciona ao mistério, e esse aparenta ser perigoso. Combinar esforços com Ink realmente traz resultados, mas o que se encontra nem sempre é aquilo que procuramos, e Evan talvez descubra isso do pior jeito.

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