Contar um história é fácil, cria-lá é um desafio. Bem vindos ao nosso mundo.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

In The Light


4º evento: Amanda




O dia começa como todos os outros, café, arrumação, mas quando Evan se vê no espelho do banheiro lembra-se do rosto da mulher que tentou tirar sua vida no dia anterior, imaginando que tipo de coisa era capaz de causar tamanho trauma na mente humana. Estaria Ink certa? Uma entidade paranormal estaria comendo almas pela cidade, e alguns de alguma maneira conseguiram escapar no meio do processo, salvando suas vidas, mas deixando algo para traz? O que aquela mulher queria de volta? Talvez sua alma, ou sanidade? Ou talvez o namorado, que a abandonou por causa do incidente? E o que aquela pintura teria a ver com tudo isso? Perguntas demais e respostas de menos. Evan estava pilhado de tanto pensar e não chegar a nenhuma conclusão, ou mesmo teoria que englobe todos os elementos encontrados até agora.
Após mais de uma hora imóvel, de pé em frente a lousa ele nota que recebeu um e-mail.

 “Estou te enviando um mapa da cidade com a marcação dos lugares e da ordem em que os WFA aconteceram. Eu não consegui notar um padrão, ou algum tipo de pré-requisito em termos de localização, mas se descobrir algo me avise.
PS: Encontre-me no bar hoje as 21:00, tem um lugar que quero que você conheça”


Logo após estava a imagem do mapa da cidade, com diversas marcações e notas. Evan a imprime e começa a estuda-la minunciosamente.
Dos 20 WFA que já ocorreram 10 deles ocorreram em becos pelo centro, não parece haver alguma relação entre eles. O do garoto ocultista ocorreu na praça próximo a casa de Evan, e parece ser o único casa naquela área da cidade. 5 deles ocorreram em estações do metro, 4 casos na estação 5, e o outro no terminal. 2 ocorreram em um prédio abandonado no qual funcionava um hospital e os 2 últimos foram na floresta de onde veio a retornada.
Como dito por Ink, não parecia haver qualquer ligação entre os casos. Os casos que compartilhavam locais eram os únicos que podiam ter alguma ligação, mas a data que parecia aleatória reduzia essa possibilidade. Mas Evan acreditava que devia haver algo em comum nesses lugares, principalmente pela maioria deles geralmente ter mais gente do que tinha quando os WFA ocorriam. Será que eles escolhiam lugares quase vazios ou esvaziavam os lugares escolhidos? O segundo faz mais sentido, principalmente nos casos do metrô, mas como eles faziam isso?
-Os fatos cada vez se imbramam mais... e ainda são 10:30 da manhã, não dá pra simplesmente esperar o hora de encontrar Ink. O que eu faço?... Diz Evan enquanto cola o mapa na lousa.
Evan decide ir aos pontos marcados, um por um, para ver se encontra algum indicio de alguma coisa. Ele pega sua bolsa e coloca nela um gravador de áudio, uma câmera fotográfica, uma lanterna e um caderno.
-Já passei pela floresta e pela praça, então vou me focar nas estações de metro e no antigo hospital já que não acho que os outros becos sejam diferentes daquele que eu vi no começo de tudo. Diz ele a si mesmo enquanto tranca a porta de sua casa.
Quando ele sai, vê que tem uma pessoa na esquina olhando na direção de sua casa. Assim que Evan olha diretamente para ela, a pessoa vira a rua e começa a caminhar, fugindo da vista de Evan, que faz pouco do acontecimento e continua seu caminho.
Como havia uma estação de metrô no centro da cidade, Evan caminha tranquilamente até ela. No meio do caminho, ele passa ao lado do mendigo de sempre, que o aborda.
-Teria um fosforo ou isqueiro jovem? Diz ele com um sorriso.
-Claro. Diz Evan tirando um isqueiro do bolso e o entrega ao mendigo.
-Você fuma? Pergunta o mendigo acendendo o cigarro.
-Às vezes. Mas desde que meu ultimo maço acabou tive preguiça de comprar outro, isso deve fazer um mês já. Responde Evan.
-Me acompanhe nesse então. Diz o mendigo entregando o isqueiro junto com o cigarro.
-Por que não? Evan encosta na parede e acende o cigarro.
-Suas placas parecem ter mensagens bem profundas. Diz Evan, após segundos de silencio, enquanto olha pra placa ao lado do mendigo que dizia: “Aceitar ajuda pode ser um dos atos mais generosos”.
-Fazer uma frase ter significados diferentes para pessoas diferentes é um dom. Todo dia, uma ou duas pessoas vem aqui dizendo que minhas frases realmente aconteceram em suas vidas. Diz o mendigo com um leve sorriso no rosto.
-Talvez você seja algum tipo de profeta... Diz Evan
-Você não parece acreditar nessas coisas.
-Não mesmo, mas atualmente tem ocorrido muita coisa estranha na minha vida.
-É verdade. Com pessoas desaparecendo em clarões de luz, um profeta de rua não é nada espantoso.
-Você acredita que isso é obra sobrenatural? Pergunta Evan, se sentando ao lado do mendigo.
-Bem, é algo totalmente fora do amplo da tecnologia dessa era. Se fosse classificar, eu realmente diria que é obra sobrenatural. Mas o fato de poder não ser explicado agora, não quer dizer que seja algo totalmente fora de nossa compreensão.
-Como assim?
-Tome, por exemplo, Galileu, que foi queimado por defender o heliocentrismo. A igreja da época achou que aquilo era loucura, mas depois aquilo se provou realidade, só foi necessário um estudo serio sobre o caso.
-Você quer dizer que algo pode ser classificado como sobrenatural, apenas por não se saber o suficiente sobre o caso?
-Claro que sim. As civilizações antigas não atribuíam chuvas e terremotos a obras divinas, porem pra nós não passa de fenômenos naturais?
-Faz sentido...
-A ciência atual ficou muito soberba e cheia de si, acreditando que tudo que ela não seja capaz de explicar não passa de besteira. Mesmo que alguém consiga alguma prova que confirme a existência de fantasmas, a ciência atual revogaria, por simples arrogância. Ela se tornou infantil o suficiente pra se achar a dona da verdade, e criou pessoas como você.
-Pessoas como eu? Diz Evan com um sorriso descrente, mas no fundo estava levando a serio tudo o que o senhor a sua frente dizia, e achando incrivelmente estranho alguém com aquela mente terminar como mendicante.
-Você acredita piamente na lógica moderna, achando que tudo que não tenha uma explicação racional não passa de loucura. Estou certo?
-E como você sabe disso?
-Eu já fui assim, e tinha esses mesmos olhos.
-Olhos?
-Olhos de quem nunca para de pensar, olhando para o horizonte infinito, procurando pela peça que pode juntar todas as outras.
-Não posso negar que essa não é minha situação atual. Diz Evan jogando a bituca do cigarro no chão e pisando em cima.
-Tenha cuidado com o que procura, as vezes não é aquilo que se quer achar. Diz o mendigo.
-Mas uma frase de infinitos sentidos? Pergunta Evan sorrindo.
-Não, esse é um conselho bem direto.
-Valeu, mas não sei se vou conseguir seguir... Diz Evan indo embora.
-Seria bom se pudesse... Murmura o mendigo.
Evan continua seu caminho normalmente até a estação, enquanto pensa sobre aquilo que o morador de rua lhe disse, até certo ponto fazia sentido, mas levou anos para formar sua cabeça, não vai ser 5 minutos de conversa com um estranho que mudaria isso.
Após 15 minutos no metrô, ele chega a estação 5, o local no qual mais ocorreram WFA. A 1º vista, parecia uma estação normal: cheia de gente subindo e descendo dos vagões, os guardas que andavam por toda plataforma, nada diferenciava essa estação das outras. Após olhar envolta procurando inutilmente por detalhes, Evan resolve perguntar para os guardas sobre o dia em questão, sempre tem 3 por estação.
-Me desculpe senhor, posso te fazer umas perguntas? Diz Evan para o 1º guarda enquanto pega o gravador de áudio.
-Claro o que quer saber? Pergunta o guarda.
-O que você sabe sobre os desaparecimentos que tem ocorrido pela cidade?
-Bem, temos muitos rumores sobre isso pra ser só uma brincadeira, mas a policia não revela nenhum dado concreto sobre isso, acho que é uma situação assustadora.
-Alguns aconteceram aqui nessa estação, sabe de algo?
-Já ouvi sobre isso também, mas nem eu nem os outros 2 guardas vimos nada.
-Pode me dizer o que estava fazendo no dia 12, as 19:00?
-Eu me lembro bem. Foi quando fui checar a sala de controle, fiquei lá por uns 2 minutos, mas agora que você falou nisso... Não me lembro de por que fui lá... A estação estava estranhamente fazia, e quando eu olhei pro relógio ver que horas eram, pois achava estranho o fato de num ter ninguém, mas quando eu vi dar 19:00 exatamente, fui a sala de controle não sei por que... Acho que a cabeça desse velho já deve estar falhando...
Evan acha o depoimento incrivelmente estranho, qual a probabilidade de alguém de repente querer fazer algo inabitual na exata hora do acontecimento. E quanto ele vai falar com os outros 2 a coisa fica ainda mais sinistra: um deles resolveu do nada adiantar a janta em 20 minutos mesmo não tenso fome, e o outro foi subitamente ao lado de fora da estação tomar um ar. Quando deu exatamente 19:00, a hora do ultimo WFA da 5º estação, todos aquele que deviriam estar aqui estavam em outro lugar, sinistro demais para ser apenas uma coincidência.
Evan começar a pensar desesperadamente no que estava ocorrendo, e a sensação estranha que ele sentiu na praça começa subia por sua espinha. Não era explicável, mas era sufocante, era desesperador, por algum motivo ele começa a entrar em pânico, então ele olha para o outro lado da plataforma, e vê a garota que no outro dia ele quase atropelou, mas assim que ele fixa seu olhar nela, um metro passa, bloqueando sua visão, e quando ele termina de passar a garota não esta mais lá. A sensação estranha começa a passar, e ele resolve deixar a estação.
Seja lá que causa os WFA, isso parece capaz de influenciar pessoas a tomar pequenas ações, que as fazem se afastar do lugar onde ocorrerá o evento, mas isso levanta a questão: Por que não usar isso para levar o alvo a um lugar isolado, onde não aja testemunhas? De fato, o lugar tem que preencher algum requisito, mas qual seria ele? Pensa Evan profundamente enquanto caminhava até o prédio do antigo hospital, e só volta a si quando uma viatura da policia passa ao seu lado. Pela velocidade e a sirene ligada parecia uma emergência, Evan corre um pouco e vê que ela para no portão do antigo prédio, onde haviam mais 3 viaturas. Os policiais estavam parados no portão, e toda a cerca estava envolta pela fita amarela de “Não ultrapasse”.
Evan se aproxima de um dos policiais.
-O que está havendo aqui?
-Desculpe, mas é assunto policial. Se afaste, por favor. Responde o policial.
-Esta havendo uma investigação ou algo assim?
-Eu não poderia informar, foi instruído apenas a interditar a área. Por favor, se afaste.
Evan resolve não insistir com o policial, mas não desiste de entrar. O fato da policia ter interditado o local aumentava as chances de ter alguma pista concreta lá. Ele começa a andar em volta dos limites do prédio, procurando por alguma outra entrada, mas a cerca viva que cerca o prédio perece instransponível.
Em determinado momento enquanto estava concentrado em procurar uma falha na cerca, ele sente uma mão tocando seu ombro. Ele se vira normalmente já pensando em uma desculpa para o que estava fazendo, mas ao ver quem o tocou ele toma um susto e cai no chão: A garota-fantasma!
-Você quer entrar ai? Pergunta ela tranquilamente.
-Quem é você?! Pergunta Evan ainda no chão.
-Amanda é Amanda. Você quer entrar? O rosto dela também era quase inexpressivo, como a retornada da floresta, mas ao contrario dela, Amanda passava serenidade através dos olhos azuis claros, quase brancos. Seu vestido branco e cabelos longos ajudavam a passar essa sensação. Evan a encara por alguns segundos e se levanta.
-Sim, eu quero entrar lá. O que você sabe sobre esse lugar? Evan acaba se recuperando do susto gradativamente.
-Amanda veio de lá. É só disso que Amanda lembra.
-Você veio lá?
-Sim, Amanda acordou em uma sala estranha, e andou perdida por muito tempo sem saber onde estava até encontrar uma saída. Amanda sabe como entrar lá.
-Poderia me mostrar? O jeito que a garota falava e seu rosto quase inexpressivo incomodavam Evan, mas ela talvez fosse sua melhor chance no momento.
-Sim, é só seguir Amanda. Diz a garota caminhando com a mão na cerca viva.
Evan a segue duvidando da própria sanidade mental, não importa da maneira que você olhasse, essa Amanda lembrava um retornado, e esse povo aparentou ser perigoso em sua única experiência com eles. Agora ele estava lá seguindo um deles para um lugar interditado pela policia. Quanto mais Evan pensava mais loucura parecia, mas ele segue em frente.
Após uns 15 metros depois de virar a esquina, Amanda para e aponta pra cerca.
-Amanda saiu daqui.
Apesar de parecer como todo o resto, essa parte da cerca era apenas alguns ramos, facilmente transponível, mas muito bem escondida.
-O que você quer lá dentro? Pergunta Amanda.
-Estou investigando os desaparecimentos que vem ocorrendo na cidade.
-Desaparecimentos?
-Sim, pessoas que desaparecem no meio de uma grande luz. Não sabe nada sobre isso?
-Não. Amanda não se lembra de nada, só sabe que tem que encontrar Amanda.
-Como assim? Eu já te vi em outros lugares na cidade, não tem família ou amigos? Diz Evan atravessando a falha na cerca.
-Não. Amanda acordou na sala e começou a procurar Amanda, não sei de nada, além disso. A garota segue Evan.
Evan não encontrava nexo no que Amanda dizia, mas tendo em vista que retornados reaparecem no mesmo lugar que sumiram, e que eles sofrem de transtornos mentais inexplicáveis, ele já tem certeza que essa garota desapareceu no WFA desse antigo hospital. A dúvida é se ela iria surtar, mas como ela aparentava certa sanidade ao conversar, não dava indícios de que isso aconteceria, pelo menos não tão cedo.
-Me conte sobre quando você acordou. Onde estava, o que tinha ao seu redor, se havia alguém lá, se viu ou ouviu alguma coisa? Pergunta Evan enquanto a seguia em direção ao prédio principal.
-Amanda acordou em uma sala vazia, e branca com pouca iluminação, mas diversas manchas de sangue por toda parte. Não tinha ninguém, mas eu ouvi uma musica estranha durante alguns minutos após ter acordado. Logo depois disso Amanda saiu da sala e começou a procurar Amanda, o que fez com que Amanda saísse daqui e andasse a cidade toda. Diz a garota.
-O que você quer dizer com “Procurar Amanda”? Você tem alguma amiga com o mesmo nome que você? Pergunta Evan.
-Eu sou Amanda, e Amanda sou eu. Mas Amanda está perdida, então
Amanda tem que acha-la. Diz Amanda enquanto para e olha para traz. Ela olha pra algo muito além de Evan, talvez além até demais. Após alguns segundos ela volta a caminhar, como se nada tivesse acontecido.
Evan continua segui-la tentando achar o sentido por traz daquilo que ela disse, mas o fato dela falar na 3º pessoa incomodava Evan, que era totalmente incapaz de imaginar o que passava na cabeça da garota a sua frente.
Eles caminham até a entrada principal do prédio, que a 1º vista parecia uma construção condenada normal: Totalmente escura por dentro, alguns estilhaços de parede e vidro, alguns desses vindo da grande porta que estava com diversos pedaços faltando. Poucos móveis estavam jogados pelo chão do grande salão, que já foi uma recepção de hospital.
-Você realmente quer entrar? Pergunta Amanda.
-Tem algo lá dentro a ser temido?
-Talvez sim, talvez não. Mas Amanda não gosta desse lugar. Diz Amanda colocando a mão na porta de vidro.
-Quer ficar aqui?
-Amanda vai te seguir, pra onde quer que você vá. Diz Amanda com um leve sorriso.
Evan realmente não sabia se isso era algo bom ou ruim, mas ao olhar pra dentro do lugar ele sentiu que devia entrar, tem algo lá dentro. Após alguns segundos encarando a porta, Evan engole seus receios e abre a porta, que range sinistramente.
Ele liga a lanterna e começa a caminhar receoso, sendo seguido de perto por Amanda, que parecia muito mais tranquila que ele.
-Pra onde vamos? Pergunta a garota.
-Vamos pra sala de onde você saiu. Lá deve ter alguma pista sobre esse caso.
-Então venha. Amanda pega a mão de Evan e começa a caminhar em ritmo acelerado.
Enquanto andavam Evan ia apenas olhando de relance o ambiente que parecia saído de um filme de terror. O lugar escuro e meio úmido, corredores longos e cheios de portas que mais pareciam um labirinto e diversos panos brancos cobrindo só Deus sabe o que. A escuridão completava o necessário pra fazer uma pessoa normal jamais entrar ali, e lá estava Evan, sendo guiado por uma desconhecida nesse ambiente macabro. Após uns 10 minutos virando corredores, entrando e saindo de salas, eles chegam a um corredor no qual tem uma sala que parece ter uma luz ligada, meio falhando.
Amanda para por alguns segundos e começa a caminhar em ritmo normal em direção a sala iluminada. Nesse ponto Evan já estava querendo largar tudo e correr, podia não aparentar, mas estava com muito medo, a tal luz no fim do corredor aumentava ainda mais o terror do lugar, como se algo fosse acontecer quando se chegasse lá, mas a mão de Amanda o puxava pra lá, nesse trecho ela passou a apertar sua mão mais forte, Evan tenta acreditar que é por ela também estar com medo.
Ao chegar na porta iluminada, ele vê que se trata de um corredor, todo feito de azulejos brancos agora meio amarelado, e uma porta de ferro, pintada de branca mas com diversas falhas a pintura. A lâmpada piscava periodicamente, que junto à imagem do corredor e da porta criava uma imagem horripilante. Após alguns segundos observando a cena atormentadora Amanda da um passo a frente, mas Evan a segura. Ele realmente não sabia se queria ir em frente, agora seu terror parecia bem aparente.
-Está tudo bem. Amanda esta com você. Diz a garota, olhando pra Evan com um leve, mas confortante sorriso.
Evan respira fundo e resolve seguir. Não que Amanda o tenha encorajado, mas ele parou e pensou: O que pode ter lá dentro? No máximo uma pessoa, nada mais do que isso. Ele tentava se convencer disso, mas seu ultimo encontro com uma pessoa em um lugar sinistro foi algo a ser temido, e Amanda voltou desse lugar, a chance de encontrar outro retornado não era baixa, porem o temor de encontrar outra coisa era ainda maior. Ainda estavam na metade do corredor. Ele parecia se alongar cada vez mais, e o receio de chegar àquela porta também. O barulho dos passos ecoava naquele silencio macabro e a cada passo a hesitação de Evan aumentava, mais ele queria largar tudo e sair correndo. Ele nunca foi uma pessoa assustada, em situações normais aquilo seria apenas um corredor com iluminação fraca pra ele, mas algo ali o fazia tremer, se não fosse a mão de Amanda o puxando ele já teria entrado em desespero e fugido.
Eles chegam a porta, e Amanda coloca a mão na maçaneta e olha pra Evan, esperando uma confirmação. Ele para por alguns segundos. Se fosse pra desistir tinha que ter sido antes, agora não tem mais volta, seja o que houver atrás dessa porta. Evan acena com a cabeça, e Amanda abre lentamente a porta. Se rangido metálica parecia ensurdecedor, e logo que ela foi aberta, um cheiro de podre subiu ao ar.
-Foi daqui... Que Amanda saiu... Diz Amanda apontando a lanterna pra dentro da sala.
Evan tem a visão mais perturbadora de sua vida. A sala repleta de sangue, do chão ao teto. Os únicos pontos ainda em branco era partes nas quais parecia ter algo na hora em que o sangue foi espirrado, parecia formar algum tipo de desenho sinistro, que aumentava ainda mais o terror emitido pelo lugar. No chão havia o que pareciam órgãos, mas estavam totalmente dilacerados, irreconhecíveis. Era demais pra qualquer um, nem mesmo o maior dos psicopatas já conhecidos fariam algo do gênero. Após alguns segundos, a sanidade de Evan sede, e ele começa a correr desesperado, cortando corredores na esperança de achar uma saída daquele pesadelo sanguinário.  A visão daquela sala repleta se sangue com as manchas brancas pareciam formar um daqueles exames psicotécnico, mas esse levaria qualquer pessoa a loucura. Após diversas curvas ele se depara com um corredor sem saída onde no final tem uma parede iluminada, e nessa parede um desenho idêntico ao que a retornada esfaqueava na caverna, mas no tamanho de uma pessoa e desenhado com sangue. Por mais que a imagem não tivesse olhos, era como se ela o encarrasse, o intimidando e o mandando sair. Ele entra em pânico e grita desesperado. Evan estava fora de si, esse lugar não era normal, seu raciocínio se esvai, e quando ele retorna a si, esta do lado de fora do hospital caminhando de mãos dadas com Amanda. Havia acabado. Ele jamais sentiu tento alivio ao ver o centro da cidade repleto de gente.
Porem aquilo realmente havia acontecido e não sairia de sua cabeça tão cedo. O mistério se torna cada vez mais sinistro, e pela primeira vez Evan sente um verdadeiro receio de continuar, com medo que encontrar aquilo que foi capaz de causar o genocídio demoníaco que ele testemunhou, mas ele já estava envolvido demais, e descobriria isso logo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário