Contar um história é fácil, cria-lá é um desafio. Bem vindos ao nosso mundo.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

In The Light


4º evento: Amanda




O dia começa como todos os outros, café, arrumação, mas quando Evan se vê no espelho do banheiro lembra-se do rosto da mulher que tentou tirar sua vida no dia anterior, imaginando que tipo de coisa era capaz de causar tamanho trauma na mente humana. Estaria Ink certa? Uma entidade paranormal estaria comendo almas pela cidade, e alguns de alguma maneira conseguiram escapar no meio do processo, salvando suas vidas, mas deixando algo para traz? O que aquela mulher queria de volta? Talvez sua alma, ou sanidade? Ou talvez o namorado, que a abandonou por causa do incidente? E o que aquela pintura teria a ver com tudo isso? Perguntas demais e respostas de menos. Evan estava pilhado de tanto pensar e não chegar a nenhuma conclusão, ou mesmo teoria que englobe todos os elementos encontrados até agora.
Após mais de uma hora imóvel, de pé em frente a lousa ele nota que recebeu um e-mail.

 “Estou te enviando um mapa da cidade com a marcação dos lugares e da ordem em que os WFA aconteceram. Eu não consegui notar um padrão, ou algum tipo de pré-requisito em termos de localização, mas se descobrir algo me avise.
PS: Encontre-me no bar hoje as 21:00, tem um lugar que quero que você conheça”


Logo após estava a imagem do mapa da cidade, com diversas marcações e notas. Evan a imprime e começa a estuda-la minunciosamente.
Dos 20 WFA que já ocorreram 10 deles ocorreram em becos pelo centro, não parece haver alguma relação entre eles. O do garoto ocultista ocorreu na praça próximo a casa de Evan, e parece ser o único casa naquela área da cidade. 5 deles ocorreram em estações do metro, 4 casos na estação 5, e o outro no terminal. 2 ocorreram em um prédio abandonado no qual funcionava um hospital e os 2 últimos foram na floresta de onde veio a retornada.
Como dito por Ink, não parecia haver qualquer ligação entre os casos. Os casos que compartilhavam locais eram os únicos que podiam ter alguma ligação, mas a data que parecia aleatória reduzia essa possibilidade. Mas Evan acreditava que devia haver algo em comum nesses lugares, principalmente pela maioria deles geralmente ter mais gente do que tinha quando os WFA ocorriam. Será que eles escolhiam lugares quase vazios ou esvaziavam os lugares escolhidos? O segundo faz mais sentido, principalmente nos casos do metrô, mas como eles faziam isso?
-Os fatos cada vez se imbramam mais... e ainda são 10:30 da manhã, não dá pra simplesmente esperar o hora de encontrar Ink. O que eu faço?... Diz Evan enquanto cola o mapa na lousa.
Evan decide ir aos pontos marcados, um por um, para ver se encontra algum indicio de alguma coisa. Ele pega sua bolsa e coloca nela um gravador de áudio, uma câmera fotográfica, uma lanterna e um caderno.
-Já passei pela floresta e pela praça, então vou me focar nas estações de metro e no antigo hospital já que não acho que os outros becos sejam diferentes daquele que eu vi no começo de tudo. Diz ele a si mesmo enquanto tranca a porta de sua casa.
Quando ele sai, vê que tem uma pessoa na esquina olhando na direção de sua casa. Assim que Evan olha diretamente para ela, a pessoa vira a rua e começa a caminhar, fugindo da vista de Evan, que faz pouco do acontecimento e continua seu caminho.
Como havia uma estação de metrô no centro da cidade, Evan caminha tranquilamente até ela. No meio do caminho, ele passa ao lado do mendigo de sempre, que o aborda.
-Teria um fosforo ou isqueiro jovem? Diz ele com um sorriso.
-Claro. Diz Evan tirando um isqueiro do bolso e o entrega ao mendigo.
-Você fuma? Pergunta o mendigo acendendo o cigarro.
-Às vezes. Mas desde que meu ultimo maço acabou tive preguiça de comprar outro, isso deve fazer um mês já. Responde Evan.
-Me acompanhe nesse então. Diz o mendigo entregando o isqueiro junto com o cigarro.
-Por que não? Evan encosta na parede e acende o cigarro.
-Suas placas parecem ter mensagens bem profundas. Diz Evan, após segundos de silencio, enquanto olha pra placa ao lado do mendigo que dizia: “Aceitar ajuda pode ser um dos atos mais generosos”.
-Fazer uma frase ter significados diferentes para pessoas diferentes é um dom. Todo dia, uma ou duas pessoas vem aqui dizendo que minhas frases realmente aconteceram em suas vidas. Diz o mendigo com um leve sorriso no rosto.
-Talvez você seja algum tipo de profeta... Diz Evan
-Você não parece acreditar nessas coisas.
-Não mesmo, mas atualmente tem ocorrido muita coisa estranha na minha vida.
-É verdade. Com pessoas desaparecendo em clarões de luz, um profeta de rua não é nada espantoso.
-Você acredita que isso é obra sobrenatural? Pergunta Evan, se sentando ao lado do mendigo.
-Bem, é algo totalmente fora do amplo da tecnologia dessa era. Se fosse classificar, eu realmente diria que é obra sobrenatural. Mas o fato de poder não ser explicado agora, não quer dizer que seja algo totalmente fora de nossa compreensão.
-Como assim?
-Tome, por exemplo, Galileu, que foi queimado por defender o heliocentrismo. A igreja da época achou que aquilo era loucura, mas depois aquilo se provou realidade, só foi necessário um estudo serio sobre o caso.
-Você quer dizer que algo pode ser classificado como sobrenatural, apenas por não se saber o suficiente sobre o caso?
-Claro que sim. As civilizações antigas não atribuíam chuvas e terremotos a obras divinas, porem pra nós não passa de fenômenos naturais?
-Faz sentido...
-A ciência atual ficou muito soberba e cheia de si, acreditando que tudo que ela não seja capaz de explicar não passa de besteira. Mesmo que alguém consiga alguma prova que confirme a existência de fantasmas, a ciência atual revogaria, por simples arrogância. Ela se tornou infantil o suficiente pra se achar a dona da verdade, e criou pessoas como você.
-Pessoas como eu? Diz Evan com um sorriso descrente, mas no fundo estava levando a serio tudo o que o senhor a sua frente dizia, e achando incrivelmente estranho alguém com aquela mente terminar como mendicante.
-Você acredita piamente na lógica moderna, achando que tudo que não tenha uma explicação racional não passa de loucura. Estou certo?
-E como você sabe disso?
-Eu já fui assim, e tinha esses mesmos olhos.
-Olhos?
-Olhos de quem nunca para de pensar, olhando para o horizonte infinito, procurando pela peça que pode juntar todas as outras.
-Não posso negar que essa não é minha situação atual. Diz Evan jogando a bituca do cigarro no chão e pisando em cima.
-Tenha cuidado com o que procura, as vezes não é aquilo que se quer achar. Diz o mendigo.
-Mas uma frase de infinitos sentidos? Pergunta Evan sorrindo.
-Não, esse é um conselho bem direto.
-Valeu, mas não sei se vou conseguir seguir... Diz Evan indo embora.
-Seria bom se pudesse... Murmura o mendigo.
Evan continua seu caminho normalmente até a estação, enquanto pensa sobre aquilo que o morador de rua lhe disse, até certo ponto fazia sentido, mas levou anos para formar sua cabeça, não vai ser 5 minutos de conversa com um estranho que mudaria isso.
Após 15 minutos no metrô, ele chega a estação 5, o local no qual mais ocorreram WFA. A 1º vista, parecia uma estação normal: cheia de gente subindo e descendo dos vagões, os guardas que andavam por toda plataforma, nada diferenciava essa estação das outras. Após olhar envolta procurando inutilmente por detalhes, Evan resolve perguntar para os guardas sobre o dia em questão, sempre tem 3 por estação.
-Me desculpe senhor, posso te fazer umas perguntas? Diz Evan para o 1º guarda enquanto pega o gravador de áudio.
-Claro o que quer saber? Pergunta o guarda.
-O que você sabe sobre os desaparecimentos que tem ocorrido pela cidade?
-Bem, temos muitos rumores sobre isso pra ser só uma brincadeira, mas a policia não revela nenhum dado concreto sobre isso, acho que é uma situação assustadora.
-Alguns aconteceram aqui nessa estação, sabe de algo?
-Já ouvi sobre isso também, mas nem eu nem os outros 2 guardas vimos nada.
-Pode me dizer o que estava fazendo no dia 12, as 19:00?
-Eu me lembro bem. Foi quando fui checar a sala de controle, fiquei lá por uns 2 minutos, mas agora que você falou nisso... Não me lembro de por que fui lá... A estação estava estranhamente fazia, e quando eu olhei pro relógio ver que horas eram, pois achava estranho o fato de num ter ninguém, mas quando eu vi dar 19:00 exatamente, fui a sala de controle não sei por que... Acho que a cabeça desse velho já deve estar falhando...
Evan acha o depoimento incrivelmente estranho, qual a probabilidade de alguém de repente querer fazer algo inabitual na exata hora do acontecimento. E quanto ele vai falar com os outros 2 a coisa fica ainda mais sinistra: um deles resolveu do nada adiantar a janta em 20 minutos mesmo não tenso fome, e o outro foi subitamente ao lado de fora da estação tomar um ar. Quando deu exatamente 19:00, a hora do ultimo WFA da 5º estação, todos aquele que deviriam estar aqui estavam em outro lugar, sinistro demais para ser apenas uma coincidência.
Evan começar a pensar desesperadamente no que estava ocorrendo, e a sensação estranha que ele sentiu na praça começa subia por sua espinha. Não era explicável, mas era sufocante, era desesperador, por algum motivo ele começa a entrar em pânico, então ele olha para o outro lado da plataforma, e vê a garota que no outro dia ele quase atropelou, mas assim que ele fixa seu olhar nela, um metro passa, bloqueando sua visão, e quando ele termina de passar a garota não esta mais lá. A sensação estranha começa a passar, e ele resolve deixar a estação.
Seja lá que causa os WFA, isso parece capaz de influenciar pessoas a tomar pequenas ações, que as fazem se afastar do lugar onde ocorrerá o evento, mas isso levanta a questão: Por que não usar isso para levar o alvo a um lugar isolado, onde não aja testemunhas? De fato, o lugar tem que preencher algum requisito, mas qual seria ele? Pensa Evan profundamente enquanto caminhava até o prédio do antigo hospital, e só volta a si quando uma viatura da policia passa ao seu lado. Pela velocidade e a sirene ligada parecia uma emergência, Evan corre um pouco e vê que ela para no portão do antigo prédio, onde haviam mais 3 viaturas. Os policiais estavam parados no portão, e toda a cerca estava envolta pela fita amarela de “Não ultrapasse”.
Evan se aproxima de um dos policiais.
-O que está havendo aqui?
-Desculpe, mas é assunto policial. Se afaste, por favor. Responde o policial.
-Esta havendo uma investigação ou algo assim?
-Eu não poderia informar, foi instruído apenas a interditar a área. Por favor, se afaste.
Evan resolve não insistir com o policial, mas não desiste de entrar. O fato da policia ter interditado o local aumentava as chances de ter alguma pista concreta lá. Ele começa a andar em volta dos limites do prédio, procurando por alguma outra entrada, mas a cerca viva que cerca o prédio perece instransponível.
Em determinado momento enquanto estava concentrado em procurar uma falha na cerca, ele sente uma mão tocando seu ombro. Ele se vira normalmente já pensando em uma desculpa para o que estava fazendo, mas ao ver quem o tocou ele toma um susto e cai no chão: A garota-fantasma!
-Você quer entrar ai? Pergunta ela tranquilamente.
-Quem é você?! Pergunta Evan ainda no chão.
-Amanda é Amanda. Você quer entrar? O rosto dela também era quase inexpressivo, como a retornada da floresta, mas ao contrario dela, Amanda passava serenidade através dos olhos azuis claros, quase brancos. Seu vestido branco e cabelos longos ajudavam a passar essa sensação. Evan a encara por alguns segundos e se levanta.
-Sim, eu quero entrar lá. O que você sabe sobre esse lugar? Evan acaba se recuperando do susto gradativamente.
-Amanda veio de lá. É só disso que Amanda lembra.
-Você veio lá?
-Sim, Amanda acordou em uma sala estranha, e andou perdida por muito tempo sem saber onde estava até encontrar uma saída. Amanda sabe como entrar lá.
-Poderia me mostrar? O jeito que a garota falava e seu rosto quase inexpressivo incomodavam Evan, mas ela talvez fosse sua melhor chance no momento.
-Sim, é só seguir Amanda. Diz a garota caminhando com a mão na cerca viva.
Evan a segue duvidando da própria sanidade mental, não importa da maneira que você olhasse, essa Amanda lembrava um retornado, e esse povo aparentou ser perigoso em sua única experiência com eles. Agora ele estava lá seguindo um deles para um lugar interditado pela policia. Quanto mais Evan pensava mais loucura parecia, mas ele segue em frente.
Após uns 15 metros depois de virar a esquina, Amanda para e aponta pra cerca.
-Amanda saiu daqui.
Apesar de parecer como todo o resto, essa parte da cerca era apenas alguns ramos, facilmente transponível, mas muito bem escondida.
-O que você quer lá dentro? Pergunta Amanda.
-Estou investigando os desaparecimentos que vem ocorrendo na cidade.
-Desaparecimentos?
-Sim, pessoas que desaparecem no meio de uma grande luz. Não sabe nada sobre isso?
-Não. Amanda não se lembra de nada, só sabe que tem que encontrar Amanda.
-Como assim? Eu já te vi em outros lugares na cidade, não tem família ou amigos? Diz Evan atravessando a falha na cerca.
-Não. Amanda acordou na sala e começou a procurar Amanda, não sei de nada, além disso. A garota segue Evan.
Evan não encontrava nexo no que Amanda dizia, mas tendo em vista que retornados reaparecem no mesmo lugar que sumiram, e que eles sofrem de transtornos mentais inexplicáveis, ele já tem certeza que essa garota desapareceu no WFA desse antigo hospital. A dúvida é se ela iria surtar, mas como ela aparentava certa sanidade ao conversar, não dava indícios de que isso aconteceria, pelo menos não tão cedo.
-Me conte sobre quando você acordou. Onde estava, o que tinha ao seu redor, se havia alguém lá, se viu ou ouviu alguma coisa? Pergunta Evan enquanto a seguia em direção ao prédio principal.
-Amanda acordou em uma sala vazia, e branca com pouca iluminação, mas diversas manchas de sangue por toda parte. Não tinha ninguém, mas eu ouvi uma musica estranha durante alguns minutos após ter acordado. Logo depois disso Amanda saiu da sala e começou a procurar Amanda, o que fez com que Amanda saísse daqui e andasse a cidade toda. Diz a garota.
-O que você quer dizer com “Procurar Amanda”? Você tem alguma amiga com o mesmo nome que você? Pergunta Evan.
-Eu sou Amanda, e Amanda sou eu. Mas Amanda está perdida, então
Amanda tem que acha-la. Diz Amanda enquanto para e olha para traz. Ela olha pra algo muito além de Evan, talvez além até demais. Após alguns segundos ela volta a caminhar, como se nada tivesse acontecido.
Evan continua segui-la tentando achar o sentido por traz daquilo que ela disse, mas o fato dela falar na 3º pessoa incomodava Evan, que era totalmente incapaz de imaginar o que passava na cabeça da garota a sua frente.
Eles caminham até a entrada principal do prédio, que a 1º vista parecia uma construção condenada normal: Totalmente escura por dentro, alguns estilhaços de parede e vidro, alguns desses vindo da grande porta que estava com diversos pedaços faltando. Poucos móveis estavam jogados pelo chão do grande salão, que já foi uma recepção de hospital.
-Você realmente quer entrar? Pergunta Amanda.
-Tem algo lá dentro a ser temido?
-Talvez sim, talvez não. Mas Amanda não gosta desse lugar. Diz Amanda colocando a mão na porta de vidro.
-Quer ficar aqui?
-Amanda vai te seguir, pra onde quer que você vá. Diz Amanda com um leve sorriso.
Evan realmente não sabia se isso era algo bom ou ruim, mas ao olhar pra dentro do lugar ele sentiu que devia entrar, tem algo lá dentro. Após alguns segundos encarando a porta, Evan engole seus receios e abre a porta, que range sinistramente.
Ele liga a lanterna e começa a caminhar receoso, sendo seguido de perto por Amanda, que parecia muito mais tranquila que ele.
-Pra onde vamos? Pergunta a garota.
-Vamos pra sala de onde você saiu. Lá deve ter alguma pista sobre esse caso.
-Então venha. Amanda pega a mão de Evan e começa a caminhar em ritmo acelerado.
Enquanto andavam Evan ia apenas olhando de relance o ambiente que parecia saído de um filme de terror. O lugar escuro e meio úmido, corredores longos e cheios de portas que mais pareciam um labirinto e diversos panos brancos cobrindo só Deus sabe o que. A escuridão completava o necessário pra fazer uma pessoa normal jamais entrar ali, e lá estava Evan, sendo guiado por uma desconhecida nesse ambiente macabro. Após uns 10 minutos virando corredores, entrando e saindo de salas, eles chegam a um corredor no qual tem uma sala que parece ter uma luz ligada, meio falhando.
Amanda para por alguns segundos e começa a caminhar em ritmo normal em direção a sala iluminada. Nesse ponto Evan já estava querendo largar tudo e correr, podia não aparentar, mas estava com muito medo, a tal luz no fim do corredor aumentava ainda mais o terror do lugar, como se algo fosse acontecer quando se chegasse lá, mas a mão de Amanda o puxava pra lá, nesse trecho ela passou a apertar sua mão mais forte, Evan tenta acreditar que é por ela também estar com medo.
Ao chegar na porta iluminada, ele vê que se trata de um corredor, todo feito de azulejos brancos agora meio amarelado, e uma porta de ferro, pintada de branca mas com diversas falhas a pintura. A lâmpada piscava periodicamente, que junto à imagem do corredor e da porta criava uma imagem horripilante. Após alguns segundos observando a cena atormentadora Amanda da um passo a frente, mas Evan a segura. Ele realmente não sabia se queria ir em frente, agora seu terror parecia bem aparente.
-Está tudo bem. Amanda esta com você. Diz a garota, olhando pra Evan com um leve, mas confortante sorriso.
Evan respira fundo e resolve seguir. Não que Amanda o tenha encorajado, mas ele parou e pensou: O que pode ter lá dentro? No máximo uma pessoa, nada mais do que isso. Ele tentava se convencer disso, mas seu ultimo encontro com uma pessoa em um lugar sinistro foi algo a ser temido, e Amanda voltou desse lugar, a chance de encontrar outro retornado não era baixa, porem o temor de encontrar outra coisa era ainda maior. Ainda estavam na metade do corredor. Ele parecia se alongar cada vez mais, e o receio de chegar àquela porta também. O barulho dos passos ecoava naquele silencio macabro e a cada passo a hesitação de Evan aumentava, mais ele queria largar tudo e sair correndo. Ele nunca foi uma pessoa assustada, em situações normais aquilo seria apenas um corredor com iluminação fraca pra ele, mas algo ali o fazia tremer, se não fosse a mão de Amanda o puxando ele já teria entrado em desespero e fugido.
Eles chegam a porta, e Amanda coloca a mão na maçaneta e olha pra Evan, esperando uma confirmação. Ele para por alguns segundos. Se fosse pra desistir tinha que ter sido antes, agora não tem mais volta, seja o que houver atrás dessa porta. Evan acena com a cabeça, e Amanda abre lentamente a porta. Se rangido metálica parecia ensurdecedor, e logo que ela foi aberta, um cheiro de podre subiu ao ar.
-Foi daqui... Que Amanda saiu... Diz Amanda apontando a lanterna pra dentro da sala.
Evan tem a visão mais perturbadora de sua vida. A sala repleta de sangue, do chão ao teto. Os únicos pontos ainda em branco era partes nas quais parecia ter algo na hora em que o sangue foi espirrado, parecia formar algum tipo de desenho sinistro, que aumentava ainda mais o terror emitido pelo lugar. No chão havia o que pareciam órgãos, mas estavam totalmente dilacerados, irreconhecíveis. Era demais pra qualquer um, nem mesmo o maior dos psicopatas já conhecidos fariam algo do gênero. Após alguns segundos, a sanidade de Evan sede, e ele começa a correr desesperado, cortando corredores na esperança de achar uma saída daquele pesadelo sanguinário.  A visão daquela sala repleta se sangue com as manchas brancas pareciam formar um daqueles exames psicotécnico, mas esse levaria qualquer pessoa a loucura. Após diversas curvas ele se depara com um corredor sem saída onde no final tem uma parede iluminada, e nessa parede um desenho idêntico ao que a retornada esfaqueava na caverna, mas no tamanho de uma pessoa e desenhado com sangue. Por mais que a imagem não tivesse olhos, era como se ela o encarrasse, o intimidando e o mandando sair. Ele entra em pânico e grita desesperado. Evan estava fora de si, esse lugar não era normal, seu raciocínio se esvai, e quando ele retorna a si, esta do lado de fora do hospital caminhando de mãos dadas com Amanda. Havia acabado. Ele jamais sentiu tento alivio ao ver o centro da cidade repleto de gente.
Porem aquilo realmente havia acontecido e não sairia de sua cabeça tão cedo. O mistério se torna cada vez mais sinistro, e pela primeira vez Evan sente um verdadeiro receio de continuar, com medo que encontrar aquilo que foi capaz de causar o genocídio demoníaco que ele testemunhou, mas ele já estava envolvido demais, e descobriria isso logo.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

In The Light


3º evento: Retornados




Evan acorda no outro dia e segue sua rotina matinal: Lava o rosto, escova os dentes, e toma seu café da manhã.
-Estou mesmo usando meu tempo livre pra investigar desaparecimentos inexplicáveis... Não importa de que ângulo se veja... Isso não jeito de se passar as férias. Diz ele sorrindo, enquanto comia.
Ao terminar o café, ele vai a seu quarto e arruma as poucas coisas que estão fora do lugar e liga o computador. Pelo que se espera do quarto de um homem que vive sozinho, o quarto de Evan era extremamente organizado. Após uns 10 minutos na internet, ele se levanta e tira de cima de seu guarda-roupa uma pequena lousa, usada para os cálculos mais complexos na época da faculdade, agora servirá para organizar os dados do caso.
-A linha ocorre sempre em: Pico de energia – Wild Fairy Appears – Desaparecimento. Já aconteceram 17 desaparecimentos segundo o site da Ink, mais os 2 que eu testemunhei, e o garoto na praça, um total de 20 desaparecidos e desses, apenas 3 retornaram. Por enquanto, parece que as pessoas escolhidas são aleatórias, o fato de sempre estarem em lugares sem ou com poucas testemunhas reforça essa tese, e não ser que aja um jeito de induzir as vítimas aos locais do WFA. Mas nada aponta para isso. Evan organiza as informações na lousa como se realmente formassem uma equação, e quando termina da uns passos para traz e começa a observa-la.
-Falta muita coisa... O que poder adicionado por agora?.. Evan começa a pensar.
-Locais... Se eles sempre ocorrem quando não tem quase ninguém olhando, o lugar deve ter que atender algum requisito. Diz ele indo para o computador.
Ele começa a caçar nos fóruns, relendo os depoimentos das testemunhas, buscando por detalhes sobre os locais onde aconteceram os WFA, mas nada além de descrições vagas como: um beco, um prédio ne centro, um ponto do metro, mas nada exato. Ele não teria paciência para sair perguntando as testemunhas uma a uma, então resolveu entrar em contato com a fonte de informação mais acessível, Ink.

“Saudações, querida ocultista. Queria saber que horas você irá atrás do retornado. E pedir que você consiga informações sobre as localizações dos WFA já ocorridos, exceto o que eu presenciei a 3 dias e o do garoto da praça. Espero resposta.”

Novamente a reposta fui quase instantânea:

“Irei para o lugar que a mulher visita ao meio dia, mas ela não hora pra ir.  Tenho relatos de que pode acontecer dentre o meio dia e a meia noite. O sobre a localização, já comecei a juntas as informações ontem, possivelmente hoje a noite já terei algum resultado.”
“PS: Você não pretende me seguir atrás do retornado não né?”

Evan responde com a mesma velocidade:

“Se deixar você ir sozinha, perguntará coisas como: Se ela viu um vulto, alguma pessoa morta, ou ainda uma nave espacial, e acabaria sem nada de útil. Obvio que vou, me diga aonde e que horas que vou te pegar.”

“Certo, me encontre na praça do círculo, as 11:45, e leve o necessário para ficar de campana na floresta  até tarde da noite.”

Após as resposta de Ink Evan olha o relógio. 11 horas.
-O que será que essa garota faz da vida? Murmura ele enquanto pega uma mochila e começa a ver o que poderia ser necessário. No final, acabou levando apenas agua, alguns lanches e um gravador de áudio.
Ele vai até a garagem e pega a moto que não usava desde que arrumou um emprego próximo de casa, mas apesar de tudo ela ainda estava em perfeito estado, era uma das poucas coisas pelas qual Evan tinha apreço.
Enquanto ela dirigia até a praça, ele nota que o impacto dos acontecimentos estava diminuindo em sua cabeça. Já não parecia algo totalmente sinistro. Segundo sua mentalidade de alguns dias atrás, ver pessoas sumindo dentro de uma luz era o suficiente para ser trancafiado em alguma clinica mental, mas ali estava ele, investigando algo que nem a policia local estava conseguindo um mínimo avanço, enquanto disputava pela verdade contra uma garota que acreditava veementemente em fantasmas.
-Ou sou incrivelmente adaptável ou estou ficando louco... Pensa ele durante o curto percurso.
Ao chegar na praça, Ink já o esperava.
-Está atrasado. Diz ela.
-Tive que almoçar, e são apenas 2 minutos. Vamos logo. Diz Evan entregando um capacete a Ink, que vira o rosto.
-Não vou subir em sua moto. Tenho o mínimo de amor próprio. Diz Ink.
-Não sei o que isso quer dizer, mas como você vai? Pergunta Evan.
-Meu carro esta do outro lado da praça. Apenas me siga.
-Se soubesse tinha deixado minha moto em casa. Mas para onde vamos exatamente? Pergunta Evan
-Extremo norte da cidade, perto das montanhas. Diz Ink, enquanto caminha para o outro lado da praça.
-Aquela que dizem haver uma ruina? Diz Evan, que a acompanha pela rua..
-Não dizem. Tem ruinas lá, já estive nelas varias vezes. E parece que aconteceram 2 WFA lá. Ink Abre a porta do carro, um daqueles clássicos antigos, cujo motor faz colecionadores perder a cabeça, Evan não conhecia muito sobre carros antigos, mas sabia que o nome Impala 64 tinha algum significado. Mas pela cor dele, totalmente preto, não era muita a cara de Ink.
-Contando o dessa retornada? Evan para do lado da janela do carro.
-Sim. Pareça que ela estava lá esperando o namorado e sumiu antes que ele chegasse. Diz Ink, saindo com o carro, e sendo seguida por Evan.
-Alguma noticia do cara?
-Parece que se mudou depois que os rumores sobre ela ter sumido em um WFA começou a se espalhar. Antes de ir foi interrogado pela policia 2 vezes.
-Quanto cavalheirismo... Diz Evan sorrindo.
Após esse comentário, eles seguem até os limites da cidade em total silencio.
Eles param em uma estrada de terra batida, na borda da floresta. Era um lugar realmente isolado, levava no mínimo uns 20 minutos de moto até a casa mais próxima e a floresta era densa o suficiente para que seja capaz de se ver nem 10 metros dentro dela. Um lugar perfeito para um desparecimento misterioso, Evan imaginava o porquê da pessoa que testemunhou o fato estar por aqui.
-Ei, vamos ficar dentro da floresta. Diz Ink, entrando árvores adentro.
-Por quê?
-Retornados tem mentes instáveis, e se ela resolver não se aproximar por ver pessoas aqui?
-Depende do nível de instabilidade da mente, isso pode variar muito. Diz Evan.
-Acho uma pessoa que anda da cidade até aqui todo dia não está com a melhor cabeça possível. Vem logo pra cá! Ink perde a paciência.
-Certo... Evan resolve aceitar para evitar discussões desnecessárias.
Eles aguardam até a noite, então eles avistam ao longe a figura de uma mulher, que caminhava vagarosamente na direção deles.
-Será que é ela? Pergunta Ink.
-Não vejo outra possibilidade. A não ser que esse lugar tenha se tornado algum ponto turístico. Diz Evan.
-Então, vamos lá falar com ela?
-Não, vamos observar por um tempo. Se o que causou a sequela mental foi o WFA, pode ter alguma pista no comportamento dela.
-Ok...
Após alguns minutos a mulher chega bem próximo ao local onde está Evan e Ink, e começa a ir floresta adentro. Após alguns metros, uma pequena trilha se forma dentro da mata fechada, e a mulher caminha por ela, sendo seguida por Ink e Evan. A mulher parecia ter entre 28 e 30 anos, e usava um grande vestido azul, bem largo, seus cabelos estavam amarrados e pareciam não ser desembaraçados há algum tempo. Seu rosto era tão sem expressão que chegava a dar medo, principalmente no meio daquela floresta fechada, sombria, e silenciosa. Ela carrega algo na mão, mas do ponto de vista de Evan e Ink não da pra ver o que é.
A mulher caminha por alguns minutos até chegar a uma espécie de caverna, que tem na sua entrada 3 grandes pedras, em forma quase retangular, que formava uma espécie de portão.
-As ruinas? Sussurra Evan.
-Sim. Responde Ink.
A mulher fica parada em frente a entrada da caverna durante alguns minutos, até que um casal de adolescentes saem de lá rindo. Elas passam olhando desconfiados para ela, que se mantem imóvel até eles deixarem a trilha. Depois disso ela entra na caverna.
-Vamos continuar seguindo? Pergunta Ink. Por algum motivo ela tem um mal pressentimento sobre isso.
-Acho que não temos escolha. Diz Evan indo em direção a caverna.
Ao se aproximarem da entrada, começam a ouvir o som de metal batendo na pedra com violência, e após alguns segundos gritos de desespero começam a acompanhar o som de metal.
Ambos correm ruina adentro apavorados para ver o que estava acontecendo, e ao chegar em uma área um pouco maior, encontram a retornada, com uma faca, atacando um ponto da parede no qual parece haver um espécie de hierografos, enquanto gritava descontrolada.
-ME DEVOLVAM!!!! ME DEVOLVAM, ME DEVOLVAM!!!! A cena era perturbadora. Evan e Ink não conseguiram fazer nada além de observar a rosto da mulher que foi de totalmente sem expressão para um desespero indescritível.
Após alguns segundos a mulher nota a presença dos expectadores, e começa a andar vagarosamente na direção deles.
-Vocês vão me devolver... Vão trazer de volta... Diz ela enquanto ia em direção a eles. A faca em sua mão chama mais atenção do que seu rosto ou palavras.
-Ei, calma. Devolver o que? Do que você esta falando? Diz Evan, entrando na frente de Ink, e se afastando lentamente. Naquela situação ele nem imaginava qual a ação correta a se tomar, estava com tanto medo que mal conseguia pensar.
-SILENCIO!!!! Vocês vão pagar pelo que fizeram comigo! A mulher desfere um chute em Evan que derruba ele e Ink no chão.
O desespero da mulher começa a passar para os 2, que já nem conseguiam mais se mover. Não era apenas uma mulher com uma faca, algo ao olhar para ela passava um terror abominável, seu rosto era como a própria morte em forma de insanidade, pronta pare ceifar a vida de ambos com uma simples faca. O medo era a única coisa na cabeça de ambos.
Porem, quando a mulher levanta a faca para aplicar o golpe derradeiro, ela olha repentinamente para a saída da caverna como se algo a chamasse, mas o silencio era supremo. Segundos depois ela começa a caminhar em direção a saída, como se Evan e Ink não existem. Sua expressão era um pouco mais leva, mas ainda o suficiente para assustar alguém.
Evan e Ink ficam ambos no chão, sem conseguir entender direito o que havia acontecido. Mesmo após a saída do mulher, eles permaneceram 10 minutos do mesmo jeito que caíram, até Evan se levantar a ajudar Ink a se colocar de pé.
-O que foi isso? Pergunta Ink, ainda meio zonza.
-Não sei. Já fui assaltado por homens armados, mas não chegou nem  perto disso. Evan tentava colocar todos os fatos no lugar, sua cabeça parecia embaralhada.
-O que quer fazer agora? É obvio que não podemos segui-la. Diz Ink encostando-se à parede.
-Primeiro que lugar é esse? Ilumine o lugar onde ela estava batendo.
-É uma ruina que parece ter sido um tipo de templo da sociedade indígena que vivia aqui antes da colonização. As paredes são repletas de desenhos que lembram hidrógrafos egípcios. É meio estranho, pois essa comunidade agia totalmente diferente de todas as outras da região. Diz Ink, pegando a lanterna no chão e iluminanda a área que foi “atacada” pela retornada.
Era um espécie de mural, em pedra lascada, totalmente plano, foi visivelmente trabalhado antes de ser desenhado. Os desenhos mostravam sempre um grupo que pareciam pessoas executando tarefas, sendo liderados por algo que parecia uma pessoa, mas tinha as traços mais leves e diversos traços envolta, como os utilizados para representar o sol. E era um dos desenhos desse ser que estava todo riscado pela ponta da faca.
-Esse ser luminoso parecer ser uma divindade, mas o que isso teria a ver com os WFA? Diz Ink enquanto examina o mural procurando por algo a mais.
-Acho que não podemos supor que isso tenha alguma coisa a ver. Pelo estado daquela mulher, isso tudo pode não passar de um simples delírio.
-Não acho. As ações dela foram muito focadas pare ser um delírio. Ela até esperou o casal sair para depois entrar. Tem que haver uma ligação.
Evan queria negar, mas Ink tem rasão. O fato dela se locomover do meio da cidade até aqui, e aplicar sua raiva apenas contra aquela imagem. Era realmente focado demais para ser um delírio aleatório, além disso, a expressão dela não era a de alguém tendo um delírio, ela passava o medo que sentiu através dos olhos, e aquilo parecia bem real. Mas não tem porque dizer isso a Ink agora.
-Acho que terminamos por hoje. Vamos embora antes que encontremos outro maluco armado. Diz Evan indo em direção a porta.
-Acho que está certo. Pra mim foi até demais por uma noite. Diz Ink seguindo-o.
Eles vão até seus respectivos veículos em total silencio, ambos tentando dar uma explicação para o ocorrido, mas nada surge a mente.
-Me envie os dados que conseguir sobre as localizações dos WFA, e tente saber algo sobre o comportamento dos outros 2 retornados, mas não tente se aproximar deles. Diz Evan ligando a moto.
-Pode deixar, e nem precisa dizer. Não vou me aproximar de um deles, pelo menos não sem uma arma. E você, o que vai fazer?
-Vou procurar mais gente que esteja investigado o caso. Deve ter algum detetive particular, ou alguém da policia que possa liberar alguma informação. Tenho que procurar pontos de vistas diferentes. Diz Evan saindo com a moto.
-Uma hora ou outra você vai ter que aceitar que isso está fora do amplo da ciência... Sussura Ink, também deixando o lugar.
Enquanto Evan dirige até sua casa, passa pelo cruzamento do centro, que estava estranhamente vazio. Em uma noite de sexta, essa lugar devia estar cheio de gente, pensa Evan, mas o único ser vivo ali era o mendigo, que parecia dormir sentado no chão, ao lado estava sua placa: “Durante uma trilha estreita, a luz no fim do túnel pode ser um trem.”
Evan presta a atenção na placa, e quando se vira para frente novamente, vê que há uma garota atravessando a rua no sinal vermelho. Ele se desvia no impulso, quase capota, mas consegue desviar da garota. Depois de estabilizar, ele para a moto pronta pra dar uma bronca na garota, mas ao olhar para traz não encontra ninguém.

-Estou ficando cada vez pior... Diz Evan seguindo ruma a sua casa.
Outro tópico estranho se adiciona ao mistério, e esse aparenta ser perigoso. Combinar esforços com Ink realmente traz resultados, mas o que se encontra nem sempre é aquilo que procuramos, e Evan talvez descubra isso do pior jeito.

In The Light




2º evento: Wild fairy appears





Em todos os fóruns em que entra ele sempre encontra a mesma coisa: testemunhas de um flash que repentinamente aparece em lugares com poucas pessoas, logo após um pequeno tremor de terra ou queda de energia, e sempre que ocorre um flash uma pessoa desaparece, e houve o caso de 3 desaparecidos retornando, mas todos com sérios distúrbios mentais, e sempre saindo do mesmo evento do luz que os fizeram desaparecer dias atrás.
-Parece que nada mais pode ser encontrado na internet... Qual seria o próximo passo? Enquanto pensa, Evan nota um endereço de e-mail no site Obscure, que parece remeter ao dono do site.
-O criador do site deve saber a identidade de algumas vitimas, e o mínimo sobre os “retornados”, creio que falar com ele deve ser o próximo passo. Diz Evan a si mesmo enquanto envia em e-mail ao endereço recém-descoberto.
“Gostaria de fazer algumas perguntas sobre os eventos estranhos que tem acontecido na cidade. Vejo por seu site que é bem informado sobre o assunto. Também pretendo expor meus pensamentos sobre o caso, então acho que pode ser produtivo para ambos. Se for possível me encontre no bar River hoje as 20:00. Aguardo resposta.”
Antes que pudesse abrir outro fórum para continuar a pesquisa, recebe um e-mail: “Ink: Resposta”.
-Que tipo de pessoa usa o nick de Ink? Pensa ele enquanto abre o e-mail.
“Aceito seu convite, pretendo saber mais do que qualquer um sobre o assunto, mas não ligo de passar meu conhecimento adiante. Estarei esperando, mesa 6.”
-Foi fácil até... Pensou Evan.
Durante o resto do dia ele tentou procurar mais alguma informação sobre os acontecimentos, mas não achou nada de útil. Os que acreditavam no fato o atribuíam a entidades sobrenaturais, enquanto os céticos apenas faziam piadas sobre os depoimentos de testemunhas. Parece que o nome com o qual fora batizado o evento era uma dessas piadas, relacionada ao fato de algumas testemunhas dizerem que viram um pequeno globo luminoso voando próximo ao evento, então os céticos começaram a chamar esse globo de fada, fazendo alusão a navi de “Legendo of Zelda” ou a sininho de Peter Pan.
Possivelmente Evan seria um dos a fazer piadas com o acontecimento se ele não tivesse visto o que viu. Em determinado momento ele começa a pensar novamente sobre o momento do wild fairy appears que ele testemunhou aquilo estava totalmente fora do amplo da tecnologia conhecida, isso supondo que seja uma fonte tecnológica. Não importa o ângulo em que se veja isso, é impossível dar uma explicação plausível para o sumiço. Evan fica com isso na cabeça até escurecer.
Ele resolve se aprontar a sair mais cedo pra investigar o beco no qual havia acontecido o desaparecimento, mas não deixa de notar, quando se levanta, que parecia ter uma pessoa na esquina observando sua casa. Após ficar a observando por alguns segundos, ela começa a caminhar na direção oposta, e Evan continua aprontar a sai em seguida.
-Devo estar imaginando coisas... Diz ele enquanto caminha em direção ao beco.
Para sua frustação, nada diferia aquele de qualquer outro beco: nenhum vestígio de alguma reação química, nenhum objeto estranho, até vasculha e toca o chão e as paredes procurando uma falha ou alçapão, mesmo algum jogo de espelhos para causar alguma ilusão de ótica, mas nada as diferia de paredes normais. Seja o que quer que tenha ocorrido, está totalmente fora dos métodos conhecidos por Evan.
Durante o caminho ele novamente passa pelo cruzamento, e novamente esta lá o mendigo, exatamente do mesmo jeito, porem sua placa agora diz: “As vezes aquilo que procuramos não é o que realmente queremos achar”. Novamente, Evan ignora e continua seu caminho.
Ele segue para o bar e chega 10 minutos antes e senta-se na mesa combinada, e fica imaginando que tipo de cara usaria o nick Ink. Após alguns minutos, uma mulher de aparência bem excêntrica entra no bar e se dirige a mesa de Evan. Uma camiseta larga e rosa, por cima de um corpete preto e um short jeans, e seu cabelo channel compartilhava as mesmas cores de suas roupas, seu estilo é no mínimo diferente. Conforme se aproxima da mesa de Evan a única coisa em sua cabeça é “Não é ela, não é ela, não é ela”, pensamento interrompido pela pergunta:
-Você é Evan?
-Sim. Ink suponho. Diz ele, encarando a mulher, que se senta e com um aceno chama o garçom.
-Se rosto perece surpreso, o que esperava? Pergunta a mulher em tom descontraído.
-Alguém menos “colorido” no mínimo. Responde Evan
-Minha aparência choca muita gente, já estou até acostumada. Mas vamos direto ao assunto: por que quer saber sobre os WFA?
-WFA?
-Abreviação de Wild Fairy Appears. Não sei o porquê desse nome gigante, pra mim apenas flash bastava. Diz Ink, enquanto pegava uma bebida rosa, mesmo cor de seu cabelo e camiseta.
-Posso chama-la de Ink?
-Prefiro assim, geralmente não digo meu nome a qualquer um.
-Então Ink, por que você atribui os WFA a entidades sobrenaturais? Pergunta Evan com um leve sorriso.
-Por quê? Pois aquilo está totalmente fora de nossa realidade, acho que é mais que obvio que aquilo não é trabalho humano. Estou investigando isso para ver que tipo de entidade está por traz disso.
-O fato de a Terra ser redonda também estava fora da realidade do povo da idade média, mas se provou apenas uma “novidade” após o estudo necessário. O prova que nesse caso pode ser diferente?
-Um cético... A maioria de vocês apenas zomba dos WFA e quem se envolve com ele. Por que você quer saber sobre ele, se não acredita no sobrenatural?
-Apenas quero mostrar aos irracionais que tudo isso sobre o sobrenatural não existe, é apenas uma série de truques bem montados.
-Parece que buscamos a mesma coisa, mas por motivos exatamente opostos... Diz Ink sorrindo.
-O que não quer dizer que não podemos nos ajudar.
-Como assim?
-Você quer provar que isso é obra de agentes sobrenaturais, e eu quero provar que não passa de obra humana. Ambos temos que chegar na resolução do caso, apenas um estará certo, mas nós dois queremos chegar lá. Você tem muito mais informação sobre o caso, mas parece que não está avançando com ela, e eu acredito que posso refinar essas informações para algo mais solido. O que acha de em pequeno acordo?
-Você acabou de dizer que o sobrenatural é bobagem, e se oferece pra trabalhar junto com a mais fanática pesquisadora de ocultismo da cidade?
-Serei sincero, eu realmente acho que você é idiota por acreditar nessas coisas, mas pelo que você escreve em seu site, você não é apenas mais uma ignorante como muitos. Se pudesse escolher, não trabalharia com alguém que acredita no improvável, mas isso não muda o fato de que preciso de sua informação para prosseguir.
-Quem você chamou de idiota!? Ink da uma pancada na mesa, e todo o bar se vira pra ela.
-Se acalme, não quero que pensem que ando com gente do seu tipo. Vamos continuar em outro lugar. Evan se levanta e deixa algum dinheiro sobre a mesa.
-Filho da p... Sussurra Ink, que depois de alguns segundos o segue.
-Eiii!!! Espere-me! Grita ela enquanto corre na direção de Evan.
-Você é sempre tão barulhenta? Diz ele quando ela se aproxima.
-Até agora você apenas falou mal de mim e o ocultismo, mas não mostrou nada de concreto sobre o caso. O que você e sua lógica conseguiram até agora?
-Com a pouca informação disponível na internet tive duas conclusões: a primeira é que o que causa o desaparecimento é algo que se movimenta e causa um campo eletromagnético, que faz com que falte energia momentaneamente num raio de mais ou menos 2 km ao redor do ponto de origem. A outra é o fator aleatório, pelo que eu consegui de informação sobre os desaparecidos do ultimo mês uma não tem ligação nenhuma com a outra, salvo em caso de parentes distantes, e o caso de um casal sumiu simultaneamente. Dizia Evan enquanto caminhava, aparentemente sem rumo.
-Não tenho certeza sobre o fator aleatório, creio que seja o que tiver fazendo isso tem um motivo, apenas não o encontramos ainda. E sobre o campo, é fato que assombrações e poltergheists influenciam redes elétricas. Alguns dizem que a própria existência deles é uma anomalia que envolve os nêutrons e elétrons presentes no ar, e algum tipo de impressão que o morto deixa ao passar por sofrimento ou agonia suprema no local.
-Quer dizer que segue sua investigação e acordo com uma lista de “suspeitos do mundo sobrenatural”? Mesmo não demonstrando, Evan se espanta com convicção e clareza que Ink explica sobre o oculto, parece que ela estudou o sobrenatural do mesmo jeito que ele estudou matemática.
-Sim. Acho que faz mais sentido do que achar que é obra humana...
-É incrível que o seu lado consiga explicar as coisas desse jeito. Mas teorias a parte, o qual será seu próximo passo?
-Eu vou entrevistar um dos retornados amanhã. Parece que uma mulher que voltou da luz vai todo dia para os limites da cidade, próximo a floresta. Segundo testemunhas foi onde ela desapareceu e reapareceu.
-Então eu... Antes que Evan terminasse a frase, as luzes dos postes falham, e ambos começam a olhar ao redor, procurando desesperadamente por um flash, mas as luzes retornam e eles não veem nada.
Quando estavam pra suspirar aliviados, ouvem um grito apavorado vindo da rua de traz, e rapidamente correm pra lá.
Na frente de uma casa, encontram uma senhora gritando no chão, enquanto apontava pra dentro se sua casa. Ink corre socorrer a mulher que estava em pânico, enquanto Evan corra para terminar de abrir a porta. Suas mãos tremiam e era difícil suprimir o medo, sua mente tentava de todo jeito imaginar o que podia estar atrás daquela porta, mas era impossível. Após alguns segundos, ele ouve um barulho dentro casa e abre a porta por impulso, então algo salta em seu rosto com uma velocidade incrível, fazendo com Evan nem consiga ver o que era. Apenas sente algo sendo encravando em seu rosto, sua única ação é cair no chão e começar a gritar apavorado, como se estivesse para morrer, mas segundos depois a coisa salta para o lado e Evan rapidamente se vira para ver o que era, e se espanta:
Um gambá...
Ink solta a mulher e espanta o bicho, enquanto Evan levanta totalmente frustrado. Os vizinhos começam a sair para vê-la o que estava acontecendo.
-Era só o bicho senhora? Pergunta Evan, ainda não conformado pelo acontecimento.
-Sim... Quando todo se apagou, eu voltei pra minha casa e quando abrir a porta, a luz voltou na mesma hora e... e eu encontrei aquele demônio. A mulher ainda estava em choque.
-O que aconteceu? Pergunta um senhor que se aproxima com um taco de baseball na mão.
-Nada. Diz Ink sorrindo normalmente.
-Era só um gambá... Diz Evan com a frustração estampada no rosto...
-Só isso? E eu pensando que a luz tinha levado alguém de novo... Diz o senhor retornando a sua casa.
-De novo?! Ink e Evan vão atrás do senhor.
-Alguém mais sumiu nessa vizinhança? Pergunta Evan.
-Ah... Sim, um jovem desapareceu dentro de um flash. Se não me engano foi logo depois de uma pequena falta de luz como essa. Faz uns 2 ou 3 dias.
-O Senhor testemunhou o desaparecimento? Pergunta Ink
-Não exatamente. Eu apenas voltava pra minha casa, e o vi na praça, desenhando algo estranho no chão, e quando virei as costas pra virar a esquina notei um flash vindo de lá, e quando me virei não tinha mais ninguém na praça. E pensar que a algumas semanas ele era apenas mais um garoto normal... Diz o senhor.
-O que acontece com ele nessas ultimas semanas?
-Ele começou a agir estranhamente. Faltava as aulas, era sempre visto com livros com emblemas estranhos, e não fala mais com ninguém. Se não me engano ele começou a agir assim justamente quando começaram esses boatos sobre gente desaparecendo. Eu pensei que ele estava apenas inventando algum hobby novo, não imaginei que podia acabar assim.
-A praça que você se refere é aquela no fim da rua? Pergunta Evan.
-Sim, por quê?
-Ink, vamos. Diz Evan correndo em direção a praça.
-Obrigado pelas informações. Diz Ink, acenando enquanto corria atrás de Evan.
Eles correm até o fim da rua e encontram uma praça bem normal: Algumas árvores entorno de uma área cimentada, possivelmente usada para brincadeiras de crianças. Após as árvores alguns brinquedos e um pequeno campo de futebol. As casas envolta também não tinham nada de anormal, talvez as únicas coisas diferentes sejam o vento frio que soprava, levando as folhas do chão para longe, e o silencio que engolia o lugar. Evan sentia alguma coisa estranha no lugar, mas não havia como explicar, algo dentro dele o manda sair dali.
Conforme se aproximam da área cimentada, notam que ela toda foi utilizada em um desenho, uma espécie de circulo, repleto de emblemas estranhos, mas era totalmente simétrico. Não é algo que qualquer um possa desenhar.
-Um círculo de invocação. Diz Ink.
-O que? Pergunta Evan
-Uma espécie de ritual para invocar uma entidade espiritual para esse mundo. Um bem grande e bem feito, diga-se de passagem. Diz Ela enquanto examina o desenho mais detalhadamente.
-Seguindo sua tese, o que esse ritual invocaria? Por mais que não quisesse admitir, a teoria de Ink parecia estar sendo mais viável que a dele no momento.
-Qualquer entidade espectral, dependeria do jeito que o ritual fosse feito. Poderia ser um Jinn, um espirito vingativo, um shikigami, um demônio, pelas inscrições que lembram runas nórdicas, mesmo uma banshee poderia atender o chamado.
-Segundo suas lendas e afins, algum deles seria capaz de fazer as pessoas do jeito que esta acontecendo?
-Difícil dizer. Uma lei universal sobre entidades espectrais diz que elas conseguem agir totalmente fora das leis desse mundo, se tiverem energia o suficiente.
-E de onde eles tiram essa energia?
-Devorando... almas...vivas... Ink nota que algo começa a fazer muito sentido.
-Acho que sua tese tem um ponto nesse caso... Diz Evan socando uma arvore. Não acreditava que havia tantas evidencias e explicações coerentes sobre um ato sobrenatural.
-É tão difícil acreditar que isso não é obra humana? Eu realmente não acredito que é possível ver pessoas sumindo por um mês e tentar achar que é algo dentro da lógica desse mundo.
-É isso... Acho que sua tese não está tão bem contada assim. Diz Evan, abrindo um leve sorriso.
-Como assim? Pergunta Ink
-Os eventos começaram há um mês. Mas apenas esse círculo foi encontrado. Pode acontecer de que esse garoto foi apenas uma mais uma vitima aleatória, sendo que esses elementos estão presentes só nesse acontecimento.
-Mas pode existir algum outro circulo escondido. Pode ser que esse garoto pode ter invocado algo que não conseguiu controlar, e vendo o que ele estava causando, tentou reverter seu feito, o que terminou no seu próprio desaparecimento. Seu envolvimento com o ocultismo coincide com o inicio dos eventos. Minha linha de pensamento é capaz de responder a quase todas as perguntas.
-Porem isso pode ser apenas uma coincidência, sendo que você não possui nenhuma prova concreta. Tudo o que não é uma certeza é uma duvida. E isso é só o que eu preciso para negar sua tese.
-Ora seu... Que seja, vou continuar minha investigação e chegarei a resposta que sua lógica é incapaz de te dar. Mas tenha em mente que a idiota aqui está na frente na corrida pela verdade. Diz Ink virando as costas e indo embora.
-Vou continuar a te contatar por e-mail, espero que faça o mesmo. Diz Evan.
-Não se preocupe, será o primeiro que terá que engolir minha verdade. Isso agora é uma briga. Diz Ink desaparecendo na esquina.
-Eu aceito seu desafio, maníaca por ocultismo Ink... Quando Evan termina de falar ele olha para o céu noturno, escuro, sem nenhuma estrela. Então de repente, um rasto de luz passa rapidamente pelo céu e o vento muda sinistramente de direção, acompanhando a direção do rastro. Segundo depois um som tenebroso ecoa pelas ruas, como aqueles ouvidos em filmes de terror mal feitos.
Evan simplesmente sorri e começa a caminhar. Eu não vi nem ouvi nada, é o que ele pensa no percurso pra casa. Não importa o quanto pareça que os WFA fossem obras sobrenaturais, enquanto não fosse encontrada uma prova indubitável ela ainda podia defender a lógica, o que ele faria de toda forma, agora contra uma inimiga que lhe ajudaria muito daqui pra frente.