4º evento: Amanda
O dia começa como
todos os outros, café, arrumação, mas quando Evan se vê no espelho do banheiro lembra-se
do rosto da mulher que tentou tirar sua vida no dia anterior, imaginando que
tipo de coisa era capaz de causar tamanho trauma na mente humana. Estaria Ink
certa? Uma entidade paranormal estaria comendo almas pela cidade, e alguns de
alguma maneira conseguiram escapar no meio do processo, salvando suas vidas,
mas deixando algo para traz? O que aquela mulher queria de volta? Talvez sua
alma, ou sanidade? Ou talvez o namorado, que a abandonou por causa do
incidente? E o que aquela pintura teria a ver com tudo isso? Perguntas demais e
respostas de menos. Evan estava pilhado de tanto pensar e não chegar a nenhuma
conclusão, ou mesmo teoria que englobe todos os elementos encontrados até
agora.
Após mais de uma
hora imóvel, de pé em frente a lousa ele nota que recebeu um e-mail.
“Estou te enviando um mapa da cidade com a
marcação dos lugares e da ordem em que os WFA aconteceram. Eu não consegui
notar um padrão, ou algum tipo de pré-requisito em termos de localização, mas
se descobrir algo me avise.
PS: Encontre-me no bar hoje as 21:00, tem um
lugar que quero que você conheça”
Logo após estava a
imagem do mapa da cidade, com diversas marcações e notas. Evan a imprime e
começa a estuda-la minunciosamente.
Dos 20 WFA que já
ocorreram 10 deles ocorreram em becos pelo centro, não parece haver alguma
relação entre eles. O do garoto ocultista ocorreu na praça próximo a casa de
Evan, e parece ser o único casa naquela área da cidade. 5 deles ocorreram em
estações do metro, 4 casos na estação 5, e o outro no terminal. 2 ocorreram em
um prédio abandonado no qual funcionava um hospital e os 2 últimos foram na
floresta de onde veio a retornada.
Como dito por
Ink, não parecia haver qualquer ligação entre os casos. Os casos que compartilhavam
locais eram os únicos que podiam ter alguma ligação, mas a data que parecia
aleatória reduzia essa possibilidade. Mas Evan acreditava que devia haver algo
em comum nesses lugares, principalmente pela maioria deles geralmente ter mais
gente do que tinha quando os WFA ocorriam. Será que eles escolhiam lugares
quase vazios ou esvaziavam os lugares escolhidos? O segundo faz mais sentido,
principalmente nos casos do metrô, mas como eles faziam isso?
-Os fatos cada
vez se imbramam mais... e ainda são 10:30 da manhã, não dá pra simplesmente
esperar o hora de encontrar Ink. O que eu faço?... Diz Evan enquanto cola o
mapa na lousa.
Evan decide ir
aos pontos marcados, um por um, para ver se encontra algum indicio de alguma
coisa. Ele pega sua bolsa e coloca nela um gravador de áudio, uma câmera
fotográfica, uma lanterna e um caderno.
-Já passei pela
floresta e pela praça, então vou me focar nas estações de metro e no antigo
hospital já que não acho que os outros becos sejam diferentes daquele que eu vi
no começo de tudo. Diz ele a si mesmo enquanto tranca a porta de sua casa.
Quando ele sai,
vê que tem uma pessoa na esquina olhando na direção de sua casa. Assim que Evan
olha diretamente para ela, a pessoa vira a rua e começa a caminhar, fugindo da
vista de Evan, que faz pouco do acontecimento e continua seu caminho.
Como havia uma
estação de metrô no centro da cidade, Evan caminha tranquilamente até ela. No
meio do caminho, ele passa ao lado do mendigo de sempre, que o aborda.
-Teria um fosforo
ou isqueiro jovem? Diz ele com um sorriso.
-Claro. Diz Evan
tirando um isqueiro do bolso e o entrega ao mendigo.
-Você fuma?
Pergunta o mendigo acendendo o cigarro.
-Às vezes. Mas
desde que meu ultimo maço acabou tive preguiça de comprar outro, isso deve
fazer um mês já. Responde Evan.
-Me acompanhe
nesse então. Diz o mendigo entregando o isqueiro junto com o cigarro.
-Por que não?
Evan encosta na parede e acende o cigarro.
-Suas placas
parecem ter mensagens bem profundas. Diz Evan, após segundos de silencio,
enquanto olha pra placa ao lado do mendigo que dizia: “Aceitar ajuda pode ser
um dos atos mais generosos”.
-Fazer uma frase
ter significados diferentes para pessoas diferentes é um dom. Todo dia, uma ou
duas pessoas vem aqui dizendo que minhas frases realmente aconteceram em suas
vidas. Diz o mendigo com um leve sorriso no rosto.
-Talvez você seja
algum tipo de profeta... Diz Evan
-Você não parece
acreditar nessas coisas.
-Não mesmo, mas
atualmente tem ocorrido muita coisa estranha na minha vida.
-É verdade. Com
pessoas desaparecendo em clarões de luz, um profeta de rua não é nada
espantoso.
-Você acredita
que isso é obra sobrenatural? Pergunta Evan, se sentando ao lado do mendigo.
-Bem, é algo
totalmente fora do amplo da tecnologia dessa era. Se fosse classificar, eu
realmente diria que é obra sobrenatural. Mas o fato de poder não ser explicado
agora, não quer dizer que seja algo totalmente fora de nossa compreensão.
-Como assim?
-Tome, por
exemplo, Galileu, que foi queimado por defender o heliocentrismo. A igreja da
época achou que aquilo era loucura, mas depois aquilo se provou realidade, só
foi necessário um estudo serio sobre o caso.
-Você quer dizer
que algo pode ser classificado como sobrenatural, apenas por não se saber o
suficiente sobre o caso?
-Claro que sim.
As civilizações antigas não atribuíam chuvas e terremotos a obras divinas,
porem pra nós não passa de fenômenos naturais?
-Faz sentido...
-A ciência atual
ficou muito soberba e cheia de si, acreditando que tudo que ela não seja capaz
de explicar não passa de besteira. Mesmo que alguém consiga alguma prova que
confirme a existência de fantasmas, a ciência atual revogaria, por simples
arrogância. Ela se tornou infantil o suficiente pra se achar a dona da verdade,
e criou pessoas como você.
-Pessoas como eu?
Diz Evan com um sorriso descrente, mas no fundo estava levando a serio tudo o
que o senhor a sua frente dizia, e achando incrivelmente estranho alguém com
aquela mente terminar como mendicante.
-Você acredita
piamente na lógica moderna, achando que tudo que não tenha uma explicação
racional não passa de loucura. Estou certo?
-E como você sabe
disso?
-Eu já fui assim,
e tinha esses mesmos olhos.
-Olhos?
-Olhos de quem
nunca para de pensar, olhando para o horizonte infinito, procurando pela peça
que pode juntar todas as outras.
-Não posso negar
que essa não é minha situação atual. Diz Evan jogando a bituca do cigarro no
chão e pisando em cima.
-Tenha cuidado
com o que procura, as vezes não é aquilo que se quer achar. Diz o mendigo.
-Mas uma frase de
infinitos sentidos? Pergunta Evan sorrindo.
-Não, esse é um
conselho bem direto.
-Valeu, mas não
sei se vou conseguir seguir... Diz Evan indo embora.
-Seria bom se
pudesse... Murmura o mendigo.
Evan continua seu
caminho normalmente até a estação, enquanto pensa sobre aquilo que o morador de
rua lhe disse, até certo ponto fazia sentido, mas levou anos para formar sua
cabeça, não vai ser 5 minutos de conversa com um estranho que mudaria isso.
Após 15 minutos
no metrô, ele chega a estação 5, o local no qual mais ocorreram WFA. A 1º
vista, parecia uma estação normal: cheia de gente subindo e descendo dos vagões,
os guardas que andavam por toda plataforma, nada diferenciava essa estação das
outras. Após olhar envolta procurando inutilmente por detalhes, Evan resolve
perguntar para os guardas sobre o dia em questão, sempre tem 3 por estação.
-Me desculpe
senhor, posso te fazer umas perguntas? Diz Evan para o 1º guarda enquanto pega
o gravador de áudio.
-Claro o que quer
saber? Pergunta o guarda.
-O que você sabe
sobre os desaparecimentos que tem ocorrido pela cidade?
-Bem, temos
muitos rumores sobre isso pra ser só uma brincadeira, mas a policia não revela
nenhum dado concreto sobre isso, acho que é uma situação assustadora.
-Alguns
aconteceram aqui nessa estação, sabe de algo?
-Já ouvi sobre
isso também, mas nem eu nem os outros 2 guardas vimos nada.
-Pode me dizer o
que estava fazendo no dia 12, as 19:00?
-Eu me lembro
bem. Foi quando fui checar a sala de controle, fiquei lá por uns 2 minutos, mas
agora que você falou nisso... Não me lembro de por que fui lá... A estação
estava estranhamente fazia, e quando eu olhei pro relógio ver que horas eram,
pois achava estranho o fato de num ter ninguém, mas quando eu vi dar 19:00
exatamente, fui a sala de controle não sei por que... Acho que a cabeça desse
velho já deve estar falhando...
Evan acha o
depoimento incrivelmente estranho, qual a probabilidade de alguém de repente
querer fazer algo inabitual na exata hora do acontecimento. E quanto ele vai
falar com os outros 2 a coisa fica ainda mais sinistra: um deles resolveu do
nada adiantar a janta em 20 minutos mesmo não tenso fome, e o outro foi
subitamente ao lado de fora da estação tomar um ar. Quando deu exatamente
19:00, a hora do ultimo WFA da 5º estação, todos aquele que deviriam estar aqui
estavam em outro lugar, sinistro demais para ser apenas uma coincidência.
Evan começar a
pensar desesperadamente no que estava ocorrendo, e a sensação estranha que ele
sentiu na praça começa subia por sua espinha. Não era explicável, mas era
sufocante, era desesperador, por algum motivo ele começa a entrar em pânico,
então ele olha para o outro lado da plataforma, e vê a garota que no outro dia
ele quase atropelou, mas assim que ele fixa seu olhar nela, um metro passa,
bloqueando sua visão, e quando ele termina de passar a garota não esta mais lá.
A sensação estranha começa a passar, e ele resolve deixar a estação.
Seja lá que causa
os WFA, isso parece capaz de influenciar pessoas a tomar pequenas ações, que as
fazem se afastar do lugar onde ocorrerá o evento, mas isso levanta a questão:
Por que não usar isso para levar o alvo a um lugar isolado, onde não aja
testemunhas? De fato, o lugar tem que preencher algum requisito, mas qual seria
ele? Pensa Evan profundamente enquanto caminhava até o prédio do antigo
hospital, e só volta a si quando uma viatura da policia passa ao seu lado. Pela
velocidade e a sirene ligada parecia uma emergência, Evan corre um pouco e vê
que ela para no portão do antigo prédio, onde haviam mais 3 viaturas. Os
policiais estavam parados no portão, e toda a cerca estava envolta pela fita
amarela de “Não ultrapasse”.
Evan se aproxima
de um dos policiais.
-O que está havendo
aqui?
-Desculpe, mas é
assunto policial. Se afaste, por favor. Responde o policial.
-Esta havendo uma
investigação ou algo assim?
-Eu não poderia
informar, foi instruído apenas a interditar a área. Por favor, se afaste.
Evan resolve não
insistir com o policial, mas não desiste de entrar. O fato da policia ter
interditado o local aumentava as chances de ter alguma pista concreta lá. Ele
começa a andar em volta dos limites do prédio, procurando por alguma outra
entrada, mas a cerca viva que cerca o prédio perece instransponível.
Em determinado
momento enquanto estava concentrado em procurar uma falha na cerca, ele sente
uma mão tocando seu ombro. Ele se vira normalmente já pensando em uma desculpa
para o que estava fazendo, mas ao ver quem o tocou ele toma um susto e cai no
chão: A garota-fantasma!
-Você quer entrar
ai? Pergunta ela tranquilamente.
-Quem é você?!
Pergunta Evan ainda no chão.
-Amanda é Amanda.
Você quer entrar? O rosto dela também era quase inexpressivo, como a retornada
da floresta, mas ao contrario dela, Amanda passava serenidade através dos olhos
azuis claros, quase brancos. Seu vestido branco e cabelos longos ajudavam a
passar essa sensação. Evan a encara por alguns segundos e se levanta.
-Sim, eu quero
entrar lá. O que você sabe sobre esse lugar? Evan acaba se recuperando do susto
gradativamente.
-Amanda veio de
lá. É só disso que Amanda lembra.
-Você veio lá?
-Sim, Amanda
acordou em uma sala estranha, e andou perdida por muito tempo sem saber onde
estava até encontrar uma saída. Amanda sabe como entrar lá.
-Poderia me
mostrar? O jeito que a garota falava e seu rosto quase inexpressivo incomodavam
Evan, mas ela talvez fosse sua melhor chance no momento.
-Sim, é só seguir
Amanda. Diz a garota caminhando com a mão na cerca viva.
Evan a segue
duvidando da própria sanidade mental, não importa da maneira que você olhasse,
essa Amanda lembrava um retornado, e esse povo aparentou ser perigoso em sua
única experiência com eles. Agora ele estava lá seguindo um deles para um lugar
interditado pela policia. Quanto mais Evan pensava mais loucura parecia, mas
ele segue em frente.
Após uns 15
metros depois de virar a esquina, Amanda para e aponta pra cerca.
-Amanda saiu
daqui.
Apesar de parecer
como todo o resto, essa parte da cerca era apenas alguns ramos, facilmente
transponível, mas muito bem escondida.
-O que você quer
lá dentro? Pergunta Amanda.
-Estou
investigando os desaparecimentos que vem ocorrendo na cidade.
-Desaparecimentos?
-Sim, pessoas que
desaparecem no meio de uma grande luz. Não sabe nada sobre isso?
-Não. Amanda não
se lembra de nada, só sabe que tem que encontrar Amanda.
-Como assim? Eu
já te vi em outros lugares na cidade, não tem família ou amigos? Diz Evan
atravessando a falha na cerca.
-Não. Amanda
acordou na sala e começou a procurar Amanda, não sei de nada, além disso. A
garota segue Evan.
Evan não
encontrava nexo no que Amanda dizia, mas tendo em vista que retornados
reaparecem no mesmo lugar que sumiram, e que eles sofrem de transtornos mentais
inexplicáveis, ele já tem certeza que essa garota desapareceu no WFA desse
antigo hospital. A dúvida é se ela iria surtar, mas como ela aparentava certa
sanidade ao conversar, não dava indícios de que isso aconteceria, pelo menos
não tão cedo.
-Me conte sobre
quando você acordou. Onde estava, o que tinha ao seu redor, se havia alguém lá,
se viu ou ouviu alguma coisa? Pergunta Evan enquanto a seguia em direção ao
prédio principal.
-Amanda acordou
em uma sala vazia, e branca com pouca iluminação, mas diversas manchas de
sangue por toda parte. Não tinha ninguém, mas eu ouvi uma musica estranha
durante alguns minutos após ter acordado. Logo depois disso Amanda saiu da sala
e começou a procurar Amanda, o que fez com que Amanda saísse daqui e andasse a
cidade toda. Diz a garota.
-O que você quer
dizer com “Procurar Amanda”? Você tem alguma amiga com o mesmo nome que você?
Pergunta Evan.
-Eu sou Amanda, e
Amanda sou eu. Mas Amanda está perdida, então
Amanda tem que acha-la. Diz Amanda enquanto para e olha para traz. Ela olha pra algo muito além de Evan, talvez além até demais. Após alguns segundos ela volta a caminhar, como se nada tivesse acontecido.
Amanda tem que acha-la. Diz Amanda enquanto para e olha para traz. Ela olha pra algo muito além de Evan, talvez além até demais. Após alguns segundos ela volta a caminhar, como se nada tivesse acontecido.
Evan continua
segui-la tentando achar o sentido por traz daquilo que ela disse, mas o fato
dela falar na 3º pessoa incomodava Evan, que era totalmente incapaz de imaginar
o que passava na cabeça da garota a sua frente.
Eles caminham até
a entrada principal do prédio, que a 1º vista parecia uma construção condenada
normal: Totalmente escura por dentro, alguns estilhaços de parede e vidro,
alguns desses vindo da grande porta que estava com diversos pedaços faltando.
Poucos móveis estavam jogados pelo chão do grande salão, que já foi uma
recepção de hospital.
-Você realmente
quer entrar? Pergunta Amanda.
-Tem algo lá
dentro a ser temido?
-Talvez sim,
talvez não. Mas Amanda não gosta desse lugar. Diz Amanda colocando a mão na
porta de vidro.
-Quer ficar aqui?
-Amanda vai te
seguir, pra onde quer que você vá. Diz Amanda com um leve sorriso.
Evan realmente
não sabia se isso era algo bom ou ruim, mas ao olhar pra dentro do lugar ele
sentiu que devia entrar, tem algo lá dentro. Após alguns segundos encarando a
porta, Evan engole seus receios e abre a porta, que range sinistramente.
Ele liga a
lanterna e começa a caminhar receoso, sendo seguido de perto por Amanda, que
parecia muito mais tranquila que ele.
-Pra onde vamos?
Pergunta a garota.
-Vamos pra sala
de onde você saiu. Lá deve ter alguma pista sobre esse caso.
-Então venha.
Amanda pega a mão de Evan e começa a caminhar em ritmo acelerado.
Enquanto andavam
Evan ia apenas olhando de relance o ambiente que parecia saído de um filme de
terror. O lugar escuro e meio úmido, corredores longos e cheios de portas que
mais pareciam um labirinto e diversos panos brancos cobrindo só Deus sabe o
que. A escuridão completava o necessário pra fazer uma pessoa normal jamais
entrar ali, e lá estava Evan, sendo guiado por uma desconhecida nesse ambiente
macabro. Após uns 10 minutos virando corredores, entrando e saindo de salas,
eles chegam a um corredor no qual tem uma sala que parece ter uma luz ligada,
meio falhando.
Amanda para por
alguns segundos e começa a caminhar em ritmo normal em direção a sala
iluminada. Nesse ponto Evan já estava querendo largar tudo e correr, podia não
aparentar, mas estava com muito medo, a tal luz no fim do corredor aumentava
ainda mais o terror do lugar, como se algo fosse acontecer quando se chegasse
lá, mas a mão de Amanda o puxava pra lá, nesse trecho ela passou a apertar sua
mão mais forte, Evan tenta acreditar que é por ela também estar com medo.
Ao chegar na
porta iluminada, ele vê que se trata de um corredor, todo feito de azulejos
brancos agora meio amarelado, e uma porta de ferro, pintada de branca mas com
diversas falhas a pintura. A lâmpada piscava periodicamente, que junto à imagem
do corredor e da porta criava uma imagem horripilante. Após alguns segundos
observando a cena atormentadora Amanda da um passo a frente, mas Evan a segura.
Ele realmente não sabia se queria ir em frente, agora seu terror parecia bem
aparente.
-Está tudo bem.
Amanda esta com você. Diz a garota, olhando pra Evan com um leve, mas
confortante sorriso.
Evan respira
fundo e resolve seguir. Não que Amanda o tenha encorajado, mas ele parou e
pensou: O que pode ter lá dentro? No máximo uma pessoa, nada mais do que isso.
Ele tentava se convencer disso, mas seu ultimo encontro com uma pessoa em um
lugar sinistro foi algo a ser temido, e Amanda voltou desse lugar, a chance de
encontrar outro retornado não era baixa, porem o temor de encontrar outra coisa
era ainda maior. Ainda estavam na metade do corredor. Ele parecia se alongar
cada vez mais, e o receio de chegar àquela porta também. O barulho dos passos
ecoava naquele silencio macabro e a cada passo a hesitação de Evan aumentava,
mais ele queria largar tudo e sair correndo. Ele nunca foi uma pessoa
assustada, em situações normais aquilo seria apenas um corredor com iluminação
fraca pra ele, mas algo ali o fazia tremer, se não fosse a mão de Amanda o
puxando ele já teria entrado em desespero e fugido.
Eles chegam a
porta, e Amanda coloca a mão na maçaneta e olha pra Evan, esperando uma
confirmação. Ele para por alguns segundos. Se fosse pra desistir tinha que ter
sido antes, agora não tem mais volta, seja o que houver atrás dessa porta. Evan
acena com a cabeça, e Amanda abre lentamente a porta. Se rangido metálica
parecia ensurdecedor, e logo que ela foi aberta, um cheiro de podre subiu ao
ar.
-Foi daqui... Que
Amanda saiu... Diz Amanda apontando a lanterna pra dentro da sala.
Evan tem a visão
mais perturbadora de sua vida. A sala repleta de sangue, do chão ao teto. Os únicos
pontos ainda em branco era partes nas quais parecia ter algo na hora em que o
sangue foi espirrado, parecia formar algum tipo de desenho sinistro, que
aumentava ainda mais o terror emitido pelo lugar. No chão havia o que pareciam órgãos,
mas estavam totalmente dilacerados, irreconhecíveis. Era demais pra qualquer
um, nem mesmo o maior dos psicopatas já conhecidos fariam algo do gênero. Após
alguns segundos, a sanidade de Evan sede, e ele começa a correr desesperado,
cortando corredores na esperança de achar uma saída daquele pesadelo sanguinário.
A visão daquela sala repleta se sangue
com as manchas brancas pareciam formar um daqueles exames psicotécnico, mas
esse levaria qualquer pessoa a loucura. Após diversas curvas ele se depara com
um corredor sem saída onde no final tem uma parede iluminada, e nessa parede um
desenho idêntico ao que a retornada esfaqueava na caverna, mas no tamanho de
uma pessoa e desenhado com sangue. Por mais que a imagem não tivesse olhos, era
como se ela o encarrasse, o intimidando e o mandando sair. Ele entra em pânico e
grita desesperado. Evan estava fora de si, esse lugar não era normal, seu
raciocínio se esvai, e quando ele retorna a si, esta do lado de fora do
hospital caminhando de mãos dadas com Amanda. Havia acabado. Ele jamais sentiu
tento alivio ao ver o centro da cidade repleto de gente.
Porem aquilo
realmente havia acontecido e não sairia de sua cabeça tão cedo. O mistério se
torna cada vez mais sinistro, e pela primeira vez Evan sente um verdadeiro
receio de continuar, com medo que encontrar aquilo que foi capaz de causar o
genocídio demoníaco que ele testemunhou, mas ele já estava envolvido demais, e
descobriria isso logo.